São Paulo A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) comemora 50 anos de fundação em evento que reúne na próxima segunda-feira, em São Paulo, além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os ministros da Fazenda, Guido Mantega; do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, e do Trabalho, Luís Marinho, e executivos das montadoras brasileiras. A presença de tantas autoridades reflete a importância dada ao setor, considerado um dos motores da economia.
A Anfavea foi fundada em maio, um mês antes da assinatura, pelo presidente Juscelino Kubitschek, de decreto instituindo o Grupo Executivo da Indústria Automobilística (Geia), que estabeleceu uma política industrial para o setor e criou bases para o início da produção nacional de automóveis. Até então, as empresas importavam conjunto de peças e os veículos apenas eram montados no Brasil. Por isso são chamadas até hoje de montadoras.
Hoje, o setor reúne 24 fabricantes e é responsável por cerca de 12% do Produto Interno Bruto industrial do País e por 20% do superávit da balança comercial. Segundo a Organização Internacional de Construtores de Automóveis (Oica), o Brasil era, até 2004, o nono maior fabricante mundial de veículos. O ranking do ano passado ainda não foi divulgado.
A festa de meio século ocorre num momento em que a indústria automobilística registra recordes de produção e exportação e, paralelamente, duas das três maiores fabricantes do setor anunciam demissões alegando perda de contratos de exportação.
O caso mais grave é o da Volkswagen, que pretende demitir até 6 mil trabalhadores até 2008, ou 25% do seu quadro atual. Além do problema cambial, o grupo aproveita para implantar um processo de reestruturação ensaiado há vários anos. Até agora, Lula não se pronunciou sobre o assunto.
A General Motors vai demitir 960 funcionários na fábrica de São José dos Campos, a 90 quilômetros da capital, até o fim de julho, mas anunciou quase igual número de contratações na unidade de Gravataí (RS), onde produzirá um novo modelo derivado do Celta que será lançado brevemente.
Aos 50 anos, a indústria automobilística enfrenta um grade desafio de competitividade frente a mercados menos tradicionais no ramo, que crescem em alta velocidade, como China, Índia, Rússia e Irã.
''Precisamos retomar novo ciclo de investimentos para enfrentar a concorrência mundial'', diz o presidente da Anfavea, Rogelio Golfarb. ''Vai sobreviver quem tiver custo baixo, qualidade e capacidade de criar projetos próprios para atender os mercados externo e interno.''

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