Os bancários fazem parte de uma das classes de trabalhadores que viram a face mais cruel da automatização: o desemprego. Em pouco mais de 10 anos, o número de profissionais da área caiu de 800 mil no País para cerca de 450 mil, segundo dados do Sindicato dos Bancários de Londrina.
‘‘A automatização não surgiu para causar desemprego. Ela veio para reduzir a penosidade do trabalho, mas como não há uma política de emprego no País, cada vez que se inova um processo acaba-se desempregando mais um’’, comenta o presidente da entidade, José Francisco da Silva. Na sua opinião, os caixas eletrônicos se moldam no que ele chama de ‘‘política de desemprego’’, que vigora no País.
Em nome da automação, as demissões são constantes. Quem fica no emprego, no entanto, acaba sobrecarregado. Silva informa que, mensalmente, o sindicato de Londrina faz cerca de 40 homologações. Isso em períodos normais, ou seja, quando não há privatizações ou planos de demissão voluntária. ‘‘O resultado dessa política é uma redução das prestações de serviços, menos acesso da população a informações e dificuldades para os clientes terem acesso aos serviços’’, cita.
Silva acrescenta que, inicialmente, a idéia da automatização era prestar um serviço a mais para a população. Na verdade, acrescenta, o que ocorreu foi a substituição de um serviço por outro. ‘‘Mais moderno e menos qualificado’’, observa.
Para ilustrar que o atendimento bancário não teve melhorias com os auto-serviços ou caixas eletrônicos, Silva cita que a média de espera em filas em dias de muita demanda – normalmente na primeira quinzena de cada mês – é de 40 minutos. Na segunda quinzena, a média cai bastante, mas dificilmente não há espera porque quanto menor a demanda, menos funcionários são disponibilizados para o atendimento direto.
‘‘No Banestado, em dia de pagamento do funcionalismo público, a espera pode chegar a duas horas e meia’’, informa Silva. A lei municipal aprovada em dezembro de 98, estipulando que a espera em fila de banco não pode ultrapassar 15 minutos em dias normais ou 30 minutos em véspera de feriado prolongado ou no dia seguinte ao feriado, não é cumprida. ‘‘Não há fiscalização regular para o cumprimento desta lei. Como tudo que se refere a banco, há muita dificuldade para cumpri-lá.’’
Segundo Silva, um dos campões de reclamações em Londrina é o Santander Meridional, onde qualquer fila pode significar uma longa espera. ‘‘Eles só têm um caixa funcionando. Os clientes insatisfeitos reclamam no sindicato, nós fazemos manifestação, chamamos a fiscalização, o problema é resolvido momentaneamente, mas no dia seguinte tudo volta ao normal’’, observa Silva. (Benê Bianchi)