Autogestão é resposta ao desemprego
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quarta-feira, 18 de agosto de 2004
Agência Brasil 
Brasília - A solução não é nova e muito menos brasileira. Já foi adotada por diversos países, como Estados Unidos, Inglaterra, Espanha e Itália. No Brasil, cada vez mais trabalhadores lançam mão da autogestão, em resposta à crise econômica dos últimos 15 anos. Assumir empresas falidas e administrá-las foi a maneira encontrada por milhares de trabalhadores que se viram, da noite para o dia, ''no olho da rua''.
''No bojo da grande crise de desemprego em massa e bancarrota de indústrias, que se seguiu à abertura do mercado às importações a partir de 1990, ampliada em 1994 pelo Plano Real, milhares de empresas fecharam as portas e milhões perderam os empregos'', lembra o economista Paul Singer, secretário nacional de Economia Solidária. Segundo ele, é nesse cenário que floresce a economia solidária no Brasil.
Singer lembra que o movimento sindical no início dos anos 90 também foi pego de surpresa. ''Na estrutura sindical, você tem uma paridade, uma representação de um lado e de outro''. Com a realidade do País no final do século passado, os desempregados não pertenciam mais ao campo da ação sindical.
De acordo com o sindicalista Luigi Verardo, essa conjuntura se tornou um novo desafio. ''Tínhamos que dar alguma resposta para aquela realidade e foi aí que começamos a tirar leite da pedra.'', revela. Verardo é um dos fundadores da Associação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Autogestão e Participação Acionária (Anteag) criada a partir da equipe que compunha a Secretaria de Formação do Sindicato dos Químicos de São Paulo, em 1991.
''A Anteag surgiu como uma resposta ao desafio colocado aos trabalhadores que conseguem - em geral, após muita luta - ficar com a massa falida de suas ex-empresas ou com o patrimônio, geralmente deteriorado, de sua empregadora em processo falimentar'', explica Paul Singer.
A Anteag foi uma das entidades organizadoras do 1º Encontro Nacional de Empreendimentos de Economia Solidária, realizado em Brasília, e que reuniu cerca de 2.300 delegados. Eles representaram os 27 mil empreendimentos existentes hoje no País, dentre eles milhares por autogestão.
Segundo Luzimar Vieira, secretaria geral da Anteag, entre 1995 e 2004, os sindicatos perderam aproximadamente metade de seus afiliados. ''Essa população não volta mais para o mercado de trabalho, porque as empresas reduziram vagas no mundo inteiro, devido à utilização de novas tecnologias. A opção que sobra para essas pessoas é criar possibilidades de trabalho e renda através de cooperativismo, de associativismo ou em empresas de autogestão'', diz.


