Rio de Janeiro - O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, prevê que, em dois anos, o Brasil atingirá a ''auto-suficiência na produção de gás natural'', com um acréscimo de mais 24 milhões de metros cúbicos diários na produção. Este volume é praticamente igual ao total importado pelo Brasil da Bolívia atualmente.
Gabrielli afirmou que a estatal continua negociando com a Bolívia. ''Não vamos ficar negociando pela imprensa. Mas, toda a semana, os grupos de trabalho (criados na reunião que ocorreu no dia 10 em La Paz) se reúnem em busca de soluções.'' Mas frisou que as negociações devem ser pautadas pelos acordos assinados entre as partes. ''Nós temos um acordo que vai até 2019. Nós estamos querendo cumprir esse acordo.''
Na palestra da Câmara Britânica de Comércio, Gabrielli detalhou o programa de investimentos que a Petrobras está desenvolvendo até 2010. A estimativa é investir em torno de US$ 11 bilhões a cada ano, nos próximos cinco anos. Em entrevista logo após a palestra, Gabrielli ressaltou que a estatal está trabalhando simultaneamente em diversos projetos para ampliar a oferta de gás no mercado interno.
A empresa vai ampliar os investimentos para a produção de gás natural na Bacia do Espírito Santo e retardar a exploração do gás na Bacia de Santos, especialmente no Campo de Mexilhão. Gabrielli disse que esse redirecionamento resulta de novas descobertas da empresa na bacia capixaba.
Além disso, a empresa tem tido dificuldades para afretar navios para lançamento de cabos necessários à exploração do gás natural em Santos. ''São poucos navios no mundo que fazem esse trabalho (lançamento de cabos em águas profundas), e a Petrobras só está conseguindo afretar navio para Santos, para o segundo semestre de 2008'', complementou.
Gabrielli estimou um acréscimo na produção na bacia capixaba de 16,7 milhões de metros cúbicos/dia de gás natural nos próximos dois anos. Além disso, ele prevê mais seis milhões de metros cúbicos/dia na Bacia de Campos, localizada em litoral capixaba. Outros 1,5 milhão de metros cúbicos/dia virão da Bacia de Santos.
Além da produção interna, a Petrobras está avaliando a possibilidade de construir pelo menos duas unidades de reigaseificação do gás natural. Uma dessas unidades, com capacidade entre 12 a 14 milhões de metros cúbicos diários, seria instalada no Rio de Janeiro. Outra, no Ceará, teria capacidade para seis milhões de metros cúbicos ao dia. E há uma terceira unidade, ainda possível, para a região Sul brasileira.
Petróleo - A estatal vai registrar um acréscimo na produção de petróleo em torno de 560 mil barris diários em 2007. Será o maior acréscimo na produção em um só exercício, superando os 260 mil barris diários estimados para 2006.
Gabrielli afirmou que a Petrobras tem hoje a sétima posição entre as petroleiras negociadas em Bolsa de Valores, em termos de volume de reservas de petróleo, superando empresas tradicionais, como a Shell.
Em 2010, conforme as projeções que Gabrielli apresentou na Câmara Britânica, a empresa estará produzindo 3,4 milhões de barris diários, em atividades no mercado interno (2,3 milhões de barris) e internacional. Com isso, a empresa prevê que o País terá auto-suficiência no energético, nos próximos dez anos. Na sua opinião, isso dá uma posição muito confortável ao Brasil, já que poucos países no mundo tem essa situação.

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