A auto-suficiência brasileira na produção de petróleo, anunciada pelo governo federal há 15 dias, não deve ser traduzida em queda de preço da gasolina e do óleo diesel para os consumidores. Como o petróleo é uma commodity - com preços definidos pelo mercado internacional - a cotação do produto no mercado interno vai continuar sujeita a alterações
de preços. No entanto, a previsão é que essas oscilações de preços apenas sejam mais
espaçadas.
  O presidente do Sindicombustíveis-PR, Roberto Fregonese, lembra que ações da Petrobras já estão na Bovespa. Isso significa que apenas uma parte da empresa é estatal, enquanto uma outra parcela já pertence a grupos privados. ‘‘As regras atuais não permitem uma queda de preços, mesmo que em condições favoráveis’’, argumenta. Segundo a Petrobras, esse aumento de produção significa que em períodos de crises internacionais, ‘‘o País ficará praticamente imune a eventuais colapsos de abastecimento’’.
  Essas análises derrubam a expectativa do consumidor de ter uma gasolina mais barata, como o que ocorre na Venezuela (um dos maiores produtores e exportadores de petróleo). No país vizinho, o litro da gasolina é subsidiado pelo governo federal e é vendido a US$ 0,20 aos consumidores. Já a gasolina brasileira tem um custo de R$ 0,98 por litro, fora os impostos. A carga tributária que incide sobre o petróleo nacional é de 62%. ‘‘O petróleo é uma fonte de receita para o Estado, sustenta a União e os Estados federados’’, comenta.
  No entanto, Fregonese lembra que, atualmente, o preço do barril no mercado internacional está cotado a US$ 74, enquanto que no Brasil o preço tem se mantido na casa dos US$ 60. ‘‘Isso está ocorrendo porque estamos em um ano eleitoral e o governo já afirmou que não teremos alterações de preços na refinaria’’, informa. Essa política não deve permitir reajustes de preços da gasolina, pelo menos, até outubro, quando deverão ocorrer as eleições.
  A auto-suficiência na produção de petróleo foi garantida com o início das operações da plataforma P-50, instalada na Bacia de Campos (litoral norte do Rio de Janeiro). A estrutura - a maior em operação no Brasil - tem capacidade de produção de mais de 180 mil barris de petróleo por dia. Em março, a produção diária foi de 1,75 milhão de barris. Atualmente, o consumo interno diário é de 1,8 milhão de barris. Há 30 anos, o Brasil importava quase a totalidade do petróleo consumido
internamente.

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