Auto-gestão é nova modalidade de trabalho
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quinta-feira, 01 de julho de 2004
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Em abril deste ano, a fábrica de botões Diamantina Fossanese, com sede na Cidade Industrial de Curitiba, faliu, teve a sede ocupada pelos trabalhadores que exigiam o pagamento de seus direitos e, por fim, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) concedeu liminar para que os empregados asumissem a gestão da empresa. Assim como a multinacional italiana e maior indústria de botões da América Latina, a Fábrica de Fécula de Mandioca, instalada no município de Santa Helena, depois de ficar mais de três anos fechada, está sendo gerenciada por uma cooperativa de ex-funcionários, que estão prestes a receber R$ 1,5 milhão de um crédito especial do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) e Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) destinado a iniciativas de auto-gestão.
A auto-gestão, na verdade, é um assunto novo para todas as partes: trabalhadores, governo, empresas e mesmo para as agências de fomento, que ainda não têm linhas de crédito específicos. O advogado Sandro Lunard Nicoladeli, coordenador do Programa de Economia Solidária da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social, conta que para convencer os representantes do BNDES sobre a viabilidade econômica da fábrica de fécula, técnicos de várias áreas foram chamados para participar da reunião e responder todos os questionamentos levantados.
Atenta a essa nova modalidade de trabalho, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Paraná realizou, ontem, o seminário estadual ''Fábricas em Processos de Falência Gestão Democrática pelos Trabalhadores''. No evento, advogados, economistas, representantes do governo, do Ministério do Trabalho debateram temas como a lei de falências, o papel do Estado e da CUT na elaboração de políticas públicas e na geração de trabalho e renda, caminhos jurídicos possíveis para garantir a gestão pelos trabalhadores.
''A CUT quer assegurar que quando os proprietários de uma fábrica não possam mais assegurar a produção, os trabalhadores tenham condições de assegurar a continuidade daquela atividade, bem como seus empregos'', explica a secretária de Políticas Sociais da CUT do Paraná, Debora de Albuquerque Souza. Roni Anderson Barbosa, presidente da CUT no Estado ressalta, ainda, a importância de se encontrar a melhor maneira de auto-gestão.
''Só buscar as dívidas trabalhistas na justiça não resolve mais. Estamos procurando uma resposta para os trabalhadores desses locais. E isso vem sendo feito através da elaboração de políticas públicas que construam uma alternativa aos trabalhadores que não estão no mercado formal'', diz Lunardeli.
A fábrica Diamantina está sendo gerenciada por um Conselho Gestor, composto por empregados eleitos em assembléia. Para tocar o projeto, eles estão recebendo ajuda da Incubadora Técnica de Cooperativas Populares da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e apoio da Secretaria do trabalho para tocar o projeto. Segundo a presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Vestuário (Sintravest), Regina de Cássia Guimarães, a empresa ainda não conseguiu retomar sua produção antiga e os empregados estão empenhados em recuperar antigos clientes, que afastaram-se devido a má gestão da antiga diretoria da empresa.


