Brasília - O Brasil, cortado por estradas esburacadas, tem nas rodovias a única alternativa para o escoamento da produção. Carecendo de novas vias, portos, aeroportos e energia, sob pena de não obter crescimento no longo prazo, para resolver esses problemas, o país esbarra numa dívida pública que ultrapassa os 57% do Produto Interno Bruto (PIB).
Por outro lado, apesar do interesse de investidores estrangeiros de grande porte, o País não consegue fechar contratos, por ter o caminho atravancado por regras não definidas e um projeto de Parcerias Público-Privadas (PPP) estacionado no Congresso Nacional. Os investidores, tanto do setor produtivo quanto os interessados na área de infra-estrutura, aguardam a formulação de regras mais claras.
O consultor britânico James Sinclair, da AFPartiners, que trabalha no Brasil atraindo empresas estrangeiras, diz que nunca viveu um momento de tanta procura. ''Podemos dizer que dobrou o número de consultas, mas isso ainda não se materializou em termos de investimento novos'', diz. ''Tem que haver regras bem definidas a respeito do que vai acontecer no futuro''.
Na Investe Brasil, agência de promoção de investimento composta por parceiros públicos e privados, projetos de potenciais investidores que giram em torno de US$ 1 bilhão aguardam regras. ''O Brasil, pelo que oferece, pelo seu tamanho e pelo seu potencial é uma plataforma muito importante dentro do cenário mundial de produção. Está na tela de radar de qualquer investidor importante, em qualquer lugar do mundo. Hoje, o que o país tem de oferecer, na realidade, é a perspectiva a médio e longo prazos. Perspectiva de políticas estáveis e de crescimento sustentado. Sem isso, o investimento não ocorre'', comenta Eduardo Pires Ferreira, diretor de Desenvolvimento e Negócios da Investe Brasil.
Com base em uma pesquisa divulgada em maio pela revista Economist, o diretor de marketing da Investe Brasil, Clementino Fraga Neto, lembra que mais de 70% dos maiores investidores do mundo estão dispostos a aumentar seus investimentos estrangeiros. ''O Brasil, com certeza, está entre os países mais cobiçados e mantém a posição de interesse'', diz.
As parcerias público-privadas existem em diversos países, especialmente os europeus. Na Inglaterra, onde surgiu essa modalidade de contrato, o governo fez uma avaliação comparando os custos e prazos de obras construídas com recursos públicos com as empreendidas por meio de PPP. A conclusão foi que, não só os empreendimentos com PPP cumpriram em muito maior número o prazo inicialmente programado, como proporcionaram uma redução de custo entre 20% e 30%.
''A experiência inglesa reforça a idéia de que pode ser um instrumento importante'', avalia o chefe da assessoria econômica do Ministério do Planejamento, Demian Fiocca. Para ele, o exemplo inglês no Brasil deve ser pelo menos repetido.
Estudos do Ministério do Planejamento revelam que, assim que as PPPs passem a funcionar, a primeira carteira de investimento alcançará R$ 5 bilhões em recursos privados.

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