Genebra - O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, disse ontem, após desembarcar em Genebra, que não está ocorrendo no Brasil um movimento generalizado de aumento de preços. ''São preços de característica estritamente sazonal, como escola, e alguns produtos agrícolas que estão na entressafra'', afirmou.''Eu não vejo com preocupação a inflação neste aspecto. E o governo tem uma decisão absolutamente prioritária, que é de não deixar a inflação voltar. Não tenho nenhum medo que a inflação volte.''
O ministro frisou que os dados disponíveis até este momento mostram um aumento de inflação tipicamente sazonal. ''Vamos acompanhar. É hora de acompanhar, ir regulando as medidas, verificando como vai se dando o seu desenvolvimento ao longo ano'', disse. ''Eu não vejo indício de problemas no campo monetário.''
Palocci rebateu as críticas de que a política econômica do governo seja ortodoxa demais. ''Mudança de estratégia se faz quando você está perdendo o jogo. Por exemplo, na final do Brasil contra o Paraguai era necessária uma mudança de estratégia, tanto que o resultado foi negativo'', disse. ''A economia brasileira reequilibrou suas contas, conseguiu combater a inflação de maneira eficaz, teve um resultado excepcional nas contas externas no ano passado e agora é hora de estruturar o crescimento.'' Segundo ele, ''mudar de rota'' agora seria ''um erro grave''.
O ministro disse que a alegação de setores empresariais de que a Cofins está estimulando reajustes de preços não é justificada. ''Os empresários reivindicaram a Cofins durante dez anos. Não foi uma reivindicação do governo ou de outros setores, mas sim do empresariado brasileiro'', disse. ''Eu não acredito que haja lógica nos empresários reivindicarem uma sistemática que lhes aumente os custos.''
Palocci disse que o tributo, do jeito que está estruturado, reduz o custo dos produtos no final das cadeias. Segundo ele, o fim da cumulatividade da Cofins ''provoca um rearranjo num determinado momento, mas o resultado é saudável, é positivo''. Para ele, a indústria, em termos de alocação efetiva de investimentos e de planejamento da produção, ''vai ganhar muito'' com a nova Cofins.

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