Até os pintores da indústria de construção civil e outros artesãos se somaram à revolta liderada por caminhoneiros, taxistas e camponeses contra o aumento do preço do combustível na França, país onde cerca de 80% desse preço é devorado pelo Fisco em impostos. Prosseguiam na tarde de ontem intensas negociações entre o governo e os líderes dos manifestantes que bloqueiam depósitos de combustível e refinarias, paralisando as estradas com seus caminhões e tratores, para impedir o tráfego de trens e veículos.
O governo fez uma enorme concessão aos caminhoneiros – redução do preço do combustível de 60 centavos entre este ano e o próximo – mas esta medida foi recusada pela categoria em geral, enquanto que trabalhadores de outros setores reclamavam, por não lhes serem oferecidas as mesmas vantagens.
Até ‘‘os pequenos’’ embarcaram no protesto, como os membros da Federação francesa da Construção, de Borgonha, que fizeram manifestação na ponte de Saint-Laurent sobre o rio Saône, em Macon.
Os pintores da construção civil e pequenos artesãos levantaram uma barreira na estrada de Beaune, no centro do país. Eles anunciaram que bloqueariam ontem à noite uma das entradas da cidade de Chalon-sur-Saône.
Entre as vítimas ‘‘inocentes’’ da ‘‘batalha’’ figurou ontem a Liga do Atlântico de Futebol (oeste da França) anunciando que todas as partidas de futebol entre sábado e segunda-feira serão canceladas por falta de combustível. Outras vítimas, ‘‘menos inocentes’’, dizem comentaristas, são políticos de todas as tendências que decidiram suspender a participação em campanhas sobre um plebiscito, relacionado à questão do tempo do mandato presidencial.
Em Paris, apenas 65 dos 164 postos funcionavam normalmente no fim da tarde de ontem. Dos que não funcionavam normalmente, 64 tinham pouco estoque de combustível e 15 nenhum estoque.
Ontem foi o quinto dia do bloqueio petroleiro e a França estava à beira de uma paralisação total, com mais de 100 depósitos de petróleo bloqueados e 80% dos postos de gasolina sem estoques. A expectativa era de que a situação voltasse ao normal no final do dia, depois que a Federação Nacional das Transportadoras (FNTR), a principal organização patronal francesa, pediu a suspensão do movimento.
Até à tarde, a passagem da fronteira da Bélgica para a França continuava proibida aos caminhões-tanque nos principais pontos de passagem do Norte, segundo o Centro Regional de Informação e Coordenação de Estradas.

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