São Paulo - Os aumentos de tarifas de telefone e energia elétrica aprovados até este mês pelas agências reguladoras vão injetar R$ 10,5 bilhões extras nos cofres do governo, no segundo semestre, em impostos federais e estaduais (ICMS). As projeções foram feitas pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) para a Folha de S.Paulo.
Segundo Gilberto Amaral, presidente do IBPT, a safra de reajustes tarifários alimenta não só o caixa das empresas mas, principalmente, os dos governos estaduais e federal. ''Por isso é tão complicado para o governo tentar conter os reajustes tarifários'', diz. O aumento da mordida do leão poderá chegar a R$ 16,89 bilhões, segundo ele, se a arrecadação tributária no setor de combustíveis for turbinada nos próximos meses por aumentos de preços semelhantes aos praticados no ano passado. O setor pagaria R$ 6,37 bilhões a mais em impostos. A arrecadação estimada no próximo semestre, com combustíveis, é de R$ 42,5 bilhões.
Segundo Amaral, os três setores - combustíveis, telefonia e energia - respondem por 40% do ICMS arrecadado em todo o País. Só o reajuste médio de 25% nas tarifas de telefonia fixa, aprovado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) na semana passada, vai resultar em uma arrecadação extra, no segundo semestre, de R$ 5,76 bilhões.
No total, segundo estimativa do IBPT, o setor deverá recolher R$ 30,16 bilhões em impostos nos próximos seis meses. ''A arrecadação será 24% maior do que no primeiro semestre, por conta do reajuste tarifário'', diz Amaral. Já no setor elétrico ele estima um aumento de 23% na arrecadação. O setor deixará na mão do fisco R$ 25,8 bilhões nos próximos seis meses.

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