Aumento no preço do gás afeta empresas
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segunda-feira, 31 de julho de 2006
Andréa Bertoldi<br> Reportagem Local 
Curitiba - Por conta do aumento do preço do gás natural, algumas indústrias de Campo Largo (Região Metropolitana de Curitiba) foram obrigadas a fechar fornos porque não tinham custo para produzir. ''A cerâmica branca não pode substituir o gás por um óleo qualquer'', disse o coordenador do Conselho de Infra-Estrutura da Federação das Indústrias do Estado do Paraná e membro do Conselho de Infra-Estrutura da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Paulo Ceschin.
O presidente do Sindilouça-PR, José Canisso, também reclama do aumento do preço do gás natural. Segundo ele, algumas empresas do Paraná usaram a estratégia de desligar fornos no Paraná e produzir as peças em filiais de outros Estados onde o gás é mais barato.
Segundo ele, de 2002 para cá as indústrias de porcelana de Campo Largo desativaram oito fornos e demitiram mais de 700 funcionários. De acordo com Canisso, em Santa Catarina o gás é mais barato e os reajustes não foram repassados em anos anteriores.
''Na área de porcelana não podemos simplesmente trocar o combustível utilizado. Para isso, é necessário mudar o forno e fazer investimentos, o que encarece a produção'', explica.
Canisso conta que muitas empresas empolgadas com a vinda do gás natural para o Paraná compraram fornos novos que custam até R$ 1,5 milhão cada um. ''Tivemos que fazer muita ginástica para nos mantermos no mercado'', destaca. Campo Largo tem hoje 36 empresas da área de porcelana que empregam 7 mil funcionários. Destas empresas, nove utilizam gás natural e mantêm um quadro de 3.500 funcionários.
O Paraná hoje consome 850 mil m3/dia, em média, de gás natural e é 100% dependente da Bolívia. ''A chance do gás natural não vir da Bolívia é uma hipótese que não trabalhamos'', disse o presidente da Companhia Paranaense de Gás (Compagas), Luiz Carlos Meinert. Ele explicou que, na retirada do gás natural, a Bolívia extrai líquidos que são condensados nas refinarias para serem transformados em diesel e gasolina. Por este motivo, ele acredita que a Bolívia não deixará de fornecer o produto para o Brasil.


