Aumento no gás boliviano poderá ser absorvido
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terça-feira, 24 de maio de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Compagas poderá absorver o impacto de um possível aumento do gás natural fornecido pelo gasoduto Brasil-Bolívia. A expectativa entre os consumidores é que o gás boliviano possa ter seu preço elevado em função da decisão daquele país em triplicar a tributação do gás fornecido ao Brasil. Segundo o presidente da estatal, Rubico Camargo, a queda na cotação do dólar poderá compensar a falta de repasse ao consumidor de um possível reajuste no preço do gás. Camargo condicionou essa compensação, se houver, a um reajuste pequeno no preço do gás boliviano fornecido pela Petrobras.
A alteração na legislação tributária da Bolívia, que poderá ter impactos sobre o gás fornecido ao Brasil, será analisado hoje na sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, entre os dirigentes da estatal e os três presidentes das companhias de gás dos três estados do Sul: Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Camargo disse que não acredita em elevação nos custos do gás, que é fornecido pela Petrobras. ''Mas se houver, certamente esse repasse não será imediato e nem na proporção do aumento de impostos ocorridos naquele País'', afirmou. O presidente da Compagas disse que um repasse de custo poderá ser feito em cerca de 120 dias, ''período suficiente para as empresas estaduais analisarem os impactos em seus estados'', explicou.
O presidente da Compagas descartou de imediato a possibilidade da Petrobras fornecer o gás natural descoberto na Bacia de Campos (RJ). De acordo com Camargo, o sistema de gasoduto que abastece a região Sul do País não está interligado com o sistema nacional, que recebe o gás natural de bacias brasileiras já em exploração no Nordeste e no Rio de Janeiro. Apesar disso, Camargo não acredita em desabastecimento do gás natural no Sul porque o principal mercado da Bolívia é o Brasil, que consome cerca de 25% da produção boliviana. ''O risco de desabastecimento é nulo'', acredita.
O consumo de gás natural no Paraná vem crescendo cerca de 20% ao ano. A Compagas está vendendo uma média de 600 mil metros cúbicos por dia para atender cerca de 800 clientes. Esse consumo ainda corresponde a uma pequena participação no consumo diário de 30 milhões de metros cúbicos dos Estados das regiões Sul e Centro-Oeste, ''o que pode dar condições da Compagás assumir um possível aumento, desde que ele não seja elevado'', reforçou Camargo.
Os usuários de gás natural ainda estão avaliando os possíveis impactos dessa crise. Em Curitiba, o Edifício Pierrot, no Ecoville, é um dos que fizeram a conversão do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) para gás natural. O conselheiro do edifício, Mario Cesar Sens, não acredita que possa ter alterações no preço do gás, ''pelo menos no curto prazo''. Segundo ele, os condôminos estão satisfeitos com a conversão, que proporcionou uma economia de 25% no consumo do gás.


