São Paulo - A grande maioria dos trabalhadores com data-base no segundo semestre não conseguiu aumento real dos salários. Muitas não deram reajuste. Até mesmo grandes categorias, como metalúrgica e química, que tradicionalmente negociam melhores acordos obtiveram, no máximo, a reposição da inflação de 10,26%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
O balanço das negociações de categorias com data-base entre julho e dezembro não está fechado, mas as principais centrais sindicais do País calculam que metade se contentou com o INPC. Boa parte não conseguiu sequer recompor as perdas do ano e pouquíssimas tiveram ganhos reais. Mais de 15 milhões de trabalhadores em todo o País passaram por processos de negociação nesse período.
No primeiro semestre, 59% das categorias que negociaram salários conquistaram a reposição das perdas, segundo o Dieese. Esse índice já era inferior ao dos dois anos anteriores, quando 68% dos acordos firmados garantiram a recomposição dos salários segundo a inflação.
''O ano não foi bom para o mundo do trabalho'', atesta o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Felício. As crises na Argentina e no mercado internacional e a alta dos juros provocaram queda da atividade econômica e os trabalhadores não tiveram fôlego para barganhar bons acordos. Pelos cálculos de Felício, 50% das categorias tiveram os salários corrigidos pelo INPC.
O segundo semestre teve ainda o evento da eleição presidencial, que mexeu com a situação macroeconômica ao causar, por exemplo, clima de incertezas entre investidores estrangeiros. Na opinião do coordenador-técnico do Dieese, Wilson Amorim, as categorias que negociaram antes do período eleitoral não conseguiram repor a inflação.
Os bancários do setor privado obtiveram 7% de aumento. Já os que negociaram depois, como metalúrgicos, químicos e têxteis tiveram o repasse integral da inflação.
O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, avalia que, na atual situação econômica, os resultados das negociações foram positivos. Segundo ele, todas as grandes categorias ligadas à central como metalúrgicos de São Paulo tiveram os salários corrigidos na casa dos 10%. O mesmo ocorreu com os metalúrgicos de São Carlos e de Itatiba, filiados à Social Democracia Sindical (SDS).
O ano de 2003 não promete ser muito diferente. ''Se o desemprego continuar elevado, na faixa de 19% da População Economicamente Ativa (PEA) e a inflação apresentar trajetória crescente, as negociações salariais não serão nada tranquilas'', diz Amorim.
A CUT não vai defender a adoção de um gatilho salarial, caso a inflação aumente. A CUT também acha que o clima otimista criado pela eleição de Lula, não trará benefícios imediatos.
Paulinho, da Força Sindical, diz também ser contrário ao gatilho, mas afirma que, se a inflação ficar em dois dígitos no primeiro trimestre muitas categorias vão querer antecipar a data-base. ''Vamos ter de buscar uma recuperação.''

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