Nova York - O aumento na taxa de risco país brasileiro, que ontem chegou a 1.072 pontos-base, depois que o C-Bond (o título da dívida brasileira de maior liquidez) chegou a cair abaixo dos 73 centavos de dólar, e a disparada do dólar para o nível de R$ 2,59 estão acendendo a luz amarela para os analistas em Wall Street. O temor é de os investidores estrangeiros entrem no movimento de venda dos ativos, que até agora tem sido limitado aos investidores locais.
A preocupação maior agora, segundo vários estrategistas em Wall Street é de que os preços dos títulos da dívida e o dólar superem barreiras psicológicas, deflagrando uma redução da exposição dos investidores ao Brasil nas suas carteiras.
Na opinião do vice-presidente de pesquisa de renda fixa para mercados emergentes do banco JP Morgan, Graham Stock, apesar dos indicadores macroeconômicos brasileiros terem melhorados nos últimos dias, não há uma perspectiva de quando acabará a pressão por conta das novas regras de marcação dos preços dos ativos dos fundos mútuos. ‘‘Sem dúvida, há um risco de o Brasil entrar num círculo vicioso, isto é, se o impacto sobre o câmbio e os juros causado pelas mudanças nas regras dos fundos mútuos continuar forte por mais tempo, então irá alimentar maiores preocupações nos investidores sobre a dinâmica da dívida brasileira’’, disse Graham.
Segundo o estrategista-chefe de um banco de investimento europeu em Wall Street, se o câmbio se desvalorizar mais ainda, o C-Bond poderá romper a barreira de suporte de 73/72 centavos de dólar, criando uma espiral negativa.

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