A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou ontem um reajuste de 46,14% na tarifa cobrada pela usina de Itaipu, administrada pela Eletrobras. A partir de 1º de janeiro, a tarifa, cobrada em dólar, será elevada de US$ 26,05 por kilowatt (kW) para US$ 38,07 por kW. O aumento terá impacto para as distribuidoras que atendem os consumidores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que recebem a energia produzida pela usina. O aumento também deve ter reflexo na conta de luz dos paranaenses que hoje são atendidos pela Copel.
De janeiro a setembro deste ano, a Copel comercializou 40.270 GWh e, deste total, 4.390 Gwh foram comprados de Itaipu, ou seja, 10,90% do total. Segundo informações da Copel este percentual não é fixo e varia conforme a demanda dos consumidores da Copel Distribuição e da Copel Geração. A estatal informou que ainda está avaliando o impacto do reajuste da energia de Itaipu sobre o valor da tarifa da Copel.
O diretor da consultoria em energia Enercons, Ivo Pugnaloni, explicou que este aumento na tarifa de Itaipu vai ajudar a compor as planilhas de custos anuais que a Copel envia para a Aneel semanas antes do reajuste que sempre acontece no dia 24 de junho. Todo ano, a estatal envia o pedido de reajuste que é aprovado ou não pela Aneel e precisa ser homologado pela agência reguladora.
Neste ano, o aumento médio da energia aplicado no Paraná foi de 24,86%. Vale lembrar que a Aneel tinha aprovado um reajuste de 35,05%, mas reduziu a pedido do próprio governo do Estado. Isso quer dizer que a conta pode vir bem salgada para o próximo ano que terá o peso dos 10% de 2014, o aumento da tarifa de Itaipu e ainda o custo elevado do uso intenso das termelétricas.
O elevado nível do reajuste aprovado para Itaipu tem dois motivos. Um foi a inadimplência de algumas distribuidoras, que deixaram de pagar as despesas com a energia produzida por Itaipu à Eletrobras. Mas o principal foi a seca, que também causou impactos para o conjunto de usinas hidrelétricas brasileiras.
A estiagem fez com que a maioria das hidrelétricas gerasse menos energia do que o volume que venderam em seus contratos neste ano. Conhecido como risco hidrológico, o problema obriga as usinas a comprar o que não conseguiram produzir no mercado de curto prazo. Pugnaloni disse que o problema se agrava ainda mais com a falta de novos reservatórios de hidrelétricas para armazenar água.
Como a energia no mercado à vista ficou cara praticamente pelo ano todo e chegou a bater o teto de R$ 822,83 por megawatt (MW) em algumas semanas do ano, coube à Eletrobras arcar com essas despesas, até a aprovação do novo reajuste anual. Segundo a companhia, a despesa atingiu valores entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões por mês e a conta deve encerrar o ano negativa em R$ 3,946 bilhões.
Do reajuste de 46,14%, 45,27 pontos porcentuais dizem respeito ao ressarcimento que a Eletrobras terá direito por carregar essa dívida. A companhia chegou a pedir que as tarifas fossem elevadas já a partir de dezembro, mas a Aneel negou o pedido de revisão tarifária extraordinária e manteve a data do reajuste em 1º. de janeiro. (Com agências)

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