Aumento na demanda faz carne bovina subir
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de dezembro de 2004
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba O paranaense está pagandomais caro pela carne bovina no final do ano. A alta contida no período de entressafra (julho a outubro) e a grande demanda pelas carnes de primeira na época de festas foram as principais razões para o aumento em dezembro. Os açougues alegam que o aumento vem de toda a cadeia produtiva. Já o Sindicato da Indústria da Carne e Derivados no Paraná (Sindicarnes) nega que os frigoríficos tenham elevado o preço e argumenta que a alta é do varejo em função da grande procura de final do ano.
O Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-econômicos (Dieese) no Paraná constatou, na região metropolitana de Curitiba (RMC), uma alta de 2,09% no preço geral das carnes em dezembro na comparação com novembro.
''No fim do ano os consumidores procuram muito mais as carnes para churrasco, que é a parte traseira do boi. A parte dianteira tem pouca procura nessa época e daí os açougues não pegam. Para compensar, os frigoríficos aumentam o preço da parte de trás'', explica o proprietário de um açougue no Mercado Municipal de Curitiba, Dirceu dos Santos Wierbitzki. A afirmação de Wierbitzki é endosssada por Idacir Cecatti, proprietário de açougue no Centro de Curitiba. ''Geralmente os açougues compram boi casado, que é dianteira e a traseira juntos. Daí o preço é menor. Mas no final do ano não adianta comprar a parte da frente. Então eles sobem a parte de trás. Mesmo em dezembro, para comprar o boi casado o valor não subiu'', afirma.
Wierbitzki exemplificou a alta alegando que em novembro estava pagando cerca de R$ 10 o quilo do filé mignon no frigorífico e revendendo por R$ 15. Em dezembro, segundo ele, pagou R$ 16 o quilo para o fornecedor e está oferecendo ao consumidor por R$ 20. Apesar da alta de 60% descrita pelo comerciante nos fornecedores, o Dieese detectou uma alta de 0,84% no preço do quilo do filé mignon no varejo da RMC.
De acordo com o Dieese, outras carnes também subiram de preço no varejo. Entre elas estão, por exemplo, o colchão mole (1% de alta), o patinho (3,21%) e a costela (3,22%). A maior alta registrada entre as carnes pesquisadas pelo Dieese foi o contrafilé, que subiu em 9,28% seu preço. Contudo em novembro, essa mesma carne teve queda de 9,98% no preço.
O economista do Dieese, Cid Cordeiro, aponta que os preços devem se manter estáveis até fevereiro. Segundo ele, não deve haver baixa depois da época de festas ''porque no período de entressafra houve variações de preços muito baixas. Então os aumentos estariam vindo atrasados.'' O levantamento de preços do Dieese se refere do dia 15 de novembro até o dia 15 de dezembro, não incluindo portanto a semana que antecede o Natal. ''É possível que a carne tenha subido ainda mais nessa semana em função da demanda'', especula Cordeiro.
Apesar de os açougues alegarem que a carne subiu nos frigoríficos, o presidente do Sindicarnes, Péricles Salazar, alega que o preço do boi se manteve estável e por isso os preços nos fornecedores não subiu. ''O preço do boi até teve uma diminuição com o fechamento de quatro unidades do frigorífico Margen (no último dia 7 de dezembro). Sobraram 55 mil cabeças de gado para os outros frigoríficos. Isto é, aumentou a oferta e por isso não tem porque subir o preço.'' Segundo ele, só se teve alta no varejo. ''No atacado não subiu'', garante.


