Aumento dos juros pode reduzir crescimento do PIB
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quinta-feira, 03 de abril de 2014
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - O aumento de juros promovido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na última quarta-feira vai encarecer o crédito para o consumidor final e pode diminuir o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). O objetivo do governo com a alta foi conter o processo inflacionário. No entanto, os especialistas procurados pela Folha defendem que poderiam ser utilizados outros recursos além do aumento da taxa Selic, que chegou a 11% neste mês de abril. Esta foi a nona alta consecutiva. A previsão é que os efeitos para o consumidor cheguem no prazo de um a três meses.
"Esse aumento da taxa Selic já era previsto porque as atas do Copom já tinham viés de alta. Não foi surpresa para ninguém, disse o economista e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Londrina, Márcio Luis Massaro. Ele disse que poderia ser utilizada a política fiscal com a diminuição de gastos do governo para controlar a inflação ao invés de apenas recorrer à política monetária. Ele prevê que, com o aumento dos juros os empresários vão preferir aplicar o dinheiro do que investir no setor produtivo. Além disso, os bancos e instituições financeiras devem apresentar uma rigidez maior para conceder crédito ao consumidor final.
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Fabiano Camargo da Silva, destacou que essa política de juros não afeta as causas da inflação. Ele também prevê que as empresas vão pensar mais antes de investir. Com isso, a produção deve ser menor, o que deve impactar no crescimento econômico.
Ele lembrou que grande parte da dívida pública - hoje em R$ 1,649 trilhão - está indexada à Selic. Com o aumento dos juros, mais dinheiro será direcionado para o mercado financeiro. Para Silva, uma das formas de combater a inflação seria ter uma programação melhor de safra agrícola e de importação. Além disso, seria necessário ter mais investimentos no setor elétrico, o que reduziria os repasses na tarifa para o consumidor. Com o aumento da Selic, deve reduzir ainda mais o crescimento econômico, disse.
O consultor econômico da Fecomércio-PR, Vamberto Santana, disse que com os juros mais caros, as pessoas adiam as compras ou desistem, o que leva à queda das vendas do comércio. Ele prevê que os custos dos financiamentos de eletrodomésticos, eletroeletrônicos, linha branca e veículos fiquem mais caros. E, segundo ele, tudo indica que o aumento dos juros vai continuar, até por conta de futuros reajustes de preços administrados como combustíveis e energia.
Massaro prevê que a Selic vai continuar subindo porque há uma pressão inflacionária muito grande com as perspectivas de alta do combustível e da tarifa de energia elétrica. Silva lembrou que o mercado está prevendo mais aumentos da Selic com previsão de chegar ao final do ano em 11,25%.




