Aumento dos impostos vai agravar recessão, diz Fipe
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segunda-feira, 05 de outubro de 1998
Agência Folha 
Os índices de inflação já começam a registrar o quadro recessivo que o País está vivendo. Essa recessão, atualmente provocada pelos juros altos, deve se aprofundar mais se o governo optar por aumentar impostos como uma das medidas para acertar suas contas. Essa análise foi feita pelo economista Heron do Carmo, coordenador do Indice de Preços ao Consumidor da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), ao divulgar ontem a taxa de deflação de São Paulo: 0,66% em setembro.
Os sinais mais evidentes da recessão nas taxas são as quedas acima do esperado dos preços de bens de consumo, entre eles vestuário e aparelhos de imagem e de som. A queda desses preços ajudou a deflação a recuar para 1,26% nos nove primeiros meses de 98 e a derrubar a inflação acumulada em 12 meses para apenas 0,05%, uma taxa que não era registrada desde a década de 40.
A taxa de inflação de 98 deve ficar próxima de zero, mas Heron do Carmo diz que esse quadro depende muito das medidas a serem adotadas pelo governo para sair da crise atual. Se as medidas mexerem direto com o bolso dos consumidores, com aumentos de preços imediatos, a inflação volta a subir e pode ficar acima de zero. Essas medidas podem ser aumento de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) ou compulsório sobre combustíveis.
Outra medida que pode elevar a inflação são mudanças na taxa cambial. Essas mudanças trariam de volta a inflação e as pessoas de baixa renda seriam as mais afetadas com o retorno inflacionário.
Mas se as medidas a serem tomadas demorarem para afetar o bolso dos consumidores, como aumentos de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), CPMF e Imposto de Renda, São Paulo poderá fechar o ano com uma taxa de deflação, o que seria a primeira vez desde 1939, quando foi iniciada a coleta de preços.
Indústria A Confederação Nacional das Indústrias (CNI) alertou ontem que há uma virtual impossibilidade de um aumento de impostos para combater o déficit público. No documento O Brasil e a Crise Global, que analisa a crise econômica brasileira, a CNI afirma que a carga de impostos no País, próxima de 31% do PIB, já é bastante elevada. Os reconhecidos efeitos negativos desta tributação sobre a competitividade dos produtos brasileiros não dão margem a se imaginar novos aumentos de tributos, afirma o documento.
A análise da CNI lembra que estudos recentes do FMI mostram que os programas de ajuste baseados em cortes de gastos públicos têm quase o dobro das possibilidades de serem bem sucedidos, em comparação com o aumento de impostos.


