Com o aquecimento da economia as empresas passaram a contratar mais. Conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em julho foram criadas 182 mil vagas formais de trabalho no País. Nas contas do ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, o desemprego no Brasil em 2010 atingirá o menor índice das últimas décadas. Ele acredita que a taxa média do ano ficará bem abaixo de 7%. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE, em julho, o índice ficou em 6,9%.
Ainda de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, mantendo o ritmo, o ano deve fechar com 2,5 milhões de vagas criadas. Estes números são importantes e também mostram que está havendo uma mudança de comportamento entre os empregados das empresas. Os funcionários estão perdendo o medo de trocar de emprego. Antigamente as pessoas entravam em uma empresa projetavam e organizavam a sua vida baseadas nela. Hoje são raros os casos de funcionários qualificados que ficam décadas na mesma organização.
''Não há mais tanto apego ao emprego como ocorria antigamente. Hoje por R$ 50,00 a mais o colaborador muda de emprego sem pestanejar'', diz o presidente do Sescap-Ldr, Marcelo Odetto Esquiante. Segundo ele, isto é perceptível em várias atividades profissionais, inclusive entre as empresas de contabilidade que sofrem com a falta de mão de obra qualificada. ''A rotatividade não é boa para as empresas, pois elas formam o profissional e quando ele começa a produzir adequadamente, muda de emprego. Aí começa tudo de novo. É preciso ir ao mercado, selecionar outra pessoa, invariavelmente, treiná-la, e tudo isso, além do custo financeiro, demanda muito tempo'', avalia Esquiante.
Em praticamente todas as empresas há casos parecidos, independentemente do segmento em que ela atua. Luciano Muniz, responsável pelo estúdio de criação da agência Mais Comunicação, há meses tenta encontrar um arte-finalista para integrar a equipe, mas sem resultado. ''Usamos os classificados, disparamos as redes sociais da internet como o Facebook e o Twitter mas ainda não encontramos o profissional para a vaga'', diz ele.
''Nós chegamos a criar a Escola Oficina, um projeto social do Sescap-Ldr, para suprir essa necessidade de formação de mão de obra. Inclusive estamos abrindo uma nova turma nos próximos dias, mas mesmo com estas iniciativas vemos que o mercado realmente está sofrendo com a falta de pessoal'', diz Esquiante.
Segundo algumas empresas de recolocação profissional, o custo médio por troca de um funcionário, chega a oito vezes o salário do mesmo. ''Por isso o empresário precisa avaliar bem o seu quadro funcional. Analisar se não é o momento de ele implementar um programa de carreiras e benefícios para reter o colaborador na empresa'', diz Esquiante. É quase uma questão matemática. A cada saída de um funcionário gera a contratação de outro. Nesse momento a empresa já teve um custo para selecionar e recrutar o novo funcionário. Depois disso terá que treiná-lo, o que é feito utilizando o tempo de outros funcionários. Além disso, tem o tempo perdido entre a saída do antigo funcionário para a entrada e treinamento do novo, onde nada foi produzido, o tempo desperdiçado pelos gerentes, oportunidades perdidas pela falta de mão de obra, sem falar nas burocracias existentes. ''O mercado mudou e as empresas precisam se adaptar. Não há outro caminho'', comenta o presidente do Sescap-Ldr.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr)
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