Aumento dos combustíveis agrava crise argentina
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2002
France Presse 
Buenos Aires - O decreto do governo argentino que aplica uma taxa de 20% para a exportação de petróleo provocou reações adversas de empresários, consumidores e sindicalistas, que previram onem novos aumentos no preço dos combustíveis e problemas para os trabalhadores do setor.
O decreto publicado nesta quinta-feira no Diário Oficial, com base no que foi estabelecido pela Lei de Emergência Econômica aprovada pelo presidente Eduardo Duhalde, fixa para a partir de março uma retenção de 20% das exportações de petróleo e 5% de seus derivados.
O aumento surpreendeu as empresas do setor, que estavam negociando com as autoridades e desejavam acordar medidas alternativas.
O preço do combustível pode aumentar a partir da próxima semana, por causa do imposto e da desvalorização do peso, afirmaram fontes das empresas exportadoras de petróleo.
O presidente da Associação de Postos de Combustível, Manuel García, afirmou: Não existe economia aberta no mundo onde um commodity como o petróleo possa absorver uma desvalorização de 100% em dólares sem que se modifique seu preço interno.
Existem duas alternativas: ou ficamos à mercê do que decidirem as empresas exportadoras, que estabelecem os preços, ou o Governo assume o controle, reduz a oferta e gera um mercado livre de combustíveis, como estamos pedindo nos últimos dez anos.
Os trabalhadores vão paralisar a produção dos poços e o fornecimento de gás a Buenos Aires e petróleo ao Chile, em protesto contra a taxa de exportação de petróleo, advertiram fontes sindicais.
O presidente do Sindicato de Petróleo e Gás Privado de Río Negro e Neuquén (sul), Guillermo Pereyra, chamou o decreto de Duhalde de barbaridade e disse que cinco mil trabalhadores serão afetados pela paralisação da produção nos próximos dias.


