Curitiba - O aumento da tarifa de transporte coletivo em Curitiba foi o principal responsável pela variação de 0,67% registrada em fevereiro nos preços administrados (de serviços controlados pelo governo) e taxas públicas na capital paranaense. A passagem do ônibus subiu 8%. O reajuste dos preços dos serviços públicos foi o dobro do índice de inflação no período. Com esses aumentos, Curitiba ficou como a capital brasileira que registrou a maior inflação em fevereiro, 0,74%, enquanto a média do restante do País manteve-se em 0,31%. As informações foram divulgados ontem pelo Sindicato dos Engenheiros no Estado do Paraná (Senge) e Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas (Dieese).
Além da tarifa do transporte coletivo, o uso e a manutenção de telefones celulares também contribuíram para encarecer o custo de vida. A mensalidade do celular teve um aumento de 7,40%, enquanto o preço do minuto subiu 11,11%. O custo médio dos serviços públicos para uma família curitibana composta por quatro pessoas ficou em R$ 325,08 no mês de fevereiro.
O presidente do Sindicato dos Engenheiros, Carlos Roberto Bittencourt, questiona o reajuste da tarifa de ônibus. Segundo ele, os coeficientes técnicos usados para calcular o valor da passagem estão defasados. ‘‘Hoje os ônibus possuem câmbio automático e o número de canaletas é maior. Esses e outros fatores contribuem para a redução do consumo de combustíveis e do desgaste dos veículos. Consequentemente, o reajuste poderia ter sido menor’’, diz o engenheiro.
O economista do Dieese, Cid Cordeiro, avisa que no mês de março a variação dos preços administrados deve ser ainda maior. ‘‘Tivemos um reajuste de 8,99% nas tarifas de água e esgoto no início deste mês, além do aumento do combustível’’, explica.
Só na primeira semana de março a gasolina subiu 4,44%. Como neste final de semana os combustíveis terão novo reajuste, Cordeiro acredita que no fechamento do mês, o aumento da gasolina seja maior do que o da água e esgoto. O reajuste autorizado pelo governo para a gasolina nas refinarias é de 9,39%. Para o consumidor, Cordeiro estima que o aumento fique entre 6% e 7%. Como a gasolina tem um grande peso na composição da inflação, deve representar, no fechamento do mês de março, um impacto de 0,22%.

mockup