As previsões de inflação para o ano começam a ser revistas depois do anúncio do reajuste da tarifa e da assinatura básica de telefone. Especialistas calculam que o impacto desse aumento no custo de vida será de cerca de 1%, diluídos entre os meses de abril a julho. Com isso, a inflação no ano, que ficaria entre 5% e 6%, segundo o economista Heron do Carmo, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP (Fipe), deve ficar pelo menos entre 6% e 6,5%.
‘‘Foi uma pancada’’, comentou Heron do Carmo. Como os reflexos do aumento sobre o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe começam a aparecer à medida que os consumidores vão pagando suas contas, que têm vencimentos diferentes, o impacto sobre a inflação será gradual. A maior parte, no entanto, prevê o economista, deve concentrar-se em junho.
‘‘Uma pequena parte entra em abril, depois mais um pouco em maio e o mais forte mesmo é em junho’’, observa. No final do ano, a inflação de 1997, na opinião de Heron do Carmo, vai ficar pelo menos meio ponto acima da previsão inicial. Técnicos da MCM Consultores também estão trabalhando com novas previsões para este ano. ‘‘Esperávamos uma inflação de 6%, agora, acho que será pelo menos 7%’’, diz o economista Leonardo Rangel.
A correção da tarifa telefônica vai ser mais um fator de pressão sobre o custo de vida num período em que outros aumentos de preços sazonais também vão pressionar. O IPC em março subiu 0,21% e as previsões dos técnicos da Fipe para abril era de uma variação de pelo menos 0,5%, por causa do vestuário, que vai subir com a entrada da coleção de inverno. Reajuste de salário mínimo em maio também é outro fator de pressão, segundo especialistas.
‘‘Acho que o governo deveria ter reajustado em janeiro para que o impacto acontecesse em fevereiro, quando houve uma alta de apenas 0,01%’’, observa Rangel. Para ele, um reajuste de uma vez pode causar uma falsa impressão na população, que não sabe separar o efeito da correção dos preços públicos sobre o custo de vida, de que a inflação está em alta. ‘‘Acho que politicamente não é interessante.’’ Mas assim como aconteceu com a CPMF, Rangel disse que não acredita em aumentos de preços provocados pelo reajuste da tarifa de telefone.
Para Heron do Carmo, a melhor saída, no entanto, seria um reajuste gradual. ‘‘Se pensar do ponto de vista da inflação, seria melhor que fosse gradual’’, explica. ‘‘Mas se o governo está pensando nas estatais, pode ser que um reajuste de uma vez seja melhor’’, ressalva. Para Heron do Carmo, apesar de pressionar a inflação, a medida tem reflexo positivo no setor público. ‘‘Vai melhorar a rentabilidade das estatais e pode valorizar as ações e facilitar as privatizações’’, afirma. A recuperação das tarifas, lembra o economista, já tem ajudado a elevar a rentabilidade das estatais.

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