Aumento do preço do álcool já preocupa as montadoras
Agência Estado
De São Paulo
O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, disse esta semana que o aumento do preço do álcool preocupa o setor porque pode inverter a tendência de aumento crescente da demanda. Entretanto, ele assegurou que as montadoras manterão os programas de produção de novos carros movidos com esse combustível.
O programa do carro a álcool sempre funcionou na base do preço, seja no valor do veículo, do combustível ou impostos, destacou o presidente da Anfavea. Quando os incentivos começam a diminuir há uma preocupação, completou. O executivo lembrou que o aumento da demanda surgiu à medida em que o preço baixou. Fiat e Volkswagen são as únicas montadoras que oferecem hoje veículos a álcool. A General Motors vai lançar o Corsa Wind a álcool este mês e a Ford vai entrar neste mercado entre janeiro e fevereiro, com a perua Escort.
De janeiro a setembro a Volkswagen produziu 4.117 veículos movidos com o derivado da cana-de-açúcar, quase seis vezes mais do que o volume que alcançou durante todo o ano passado. A Fiat também tem registrado aceleração na demanda. A montadora recebeu 412 pedidos em setembro, 1.417 em outubro e já se programou para atender a 2.300 solicitações em novembro. O Estado de São Paulo absorve 70% da produção destes veículos.
O gerente de marketing da Fiat, Carlos Eugênio Dutra, atribui tanto o aumento da demanda como a concentração das vendas em São Paulo à lei do governador Mário Covas, que isenta de IPVA neste ano e no próximo todos veículos novos com esse combustível e dá mil litros de combustível de graça, num acordo com os produtores.
Para a indústria, é difícil saber qual será a reação do consumidor com o aumento no preço do combustível. Segundo o presidente da Comissão de Energia e Meio Ambiente da Anfavea, Henry Joseph Júnior, em termos de economia, as vantagens entre o carro a álcool e a gasolina ficarão empatados se a diferença de preços ficar entre 20% e 25%. Ou seja, por esse raciocínio, o litro do álcool pode chegar a R$ 0,90.
Segundo ele, a indústria já esperava por um aumento de preços porque os valores estavam muito represados. A Anfavea também aceitou o aumento da de álcool na gasolina de 24% para 26%. Joseph Jr argumenta que os veículos podem circular com essa mistura temporariamente sem problemas mecânicos.
Para o presidente da Cooperativa dos Proprietários de Postos de Combustível do Estado de São Paulo, Rodolfo Cetertick, o setor entende a alta dos preços em razão do repasse da redução de subsídio e do período de entressafra. Os postos não podem fazer nada, mas somos sempre vistos como vilões, destacou. Mas o consumidor certamente vai sentir o impacto.





