O número de trabalhadores com carteira assinada cresceu 0,78% no mês de maio, correspondendo à geração de 162.837 postos de trabalho. O resultado, segundo o Ministério do Trabalho, é o melhor de toda a década e, embora o mês de maio seja fortemente afetado por fatores sazonais positivos, os técnicos avaliam que parte do desempenho do mercado de trabalho deve ser atribuído ao maior dinamismo da economia.
Com o resultado de maio, eleva-se para 447.228 o saldo líquido de empregos formais gerados nos primeiros cinco meses do ano. É o maior resultado para o período desde 1992. Se continuar com esse crescimento do emprego formal, o ano 2000 pode ser o melhor da década. De 1996 para cá, por exemplo, o mercado de trabalho formal registrou perda líquida de postos de trabalho.
Em 1996, o saldo negativo foi de 271.298; em 1997, de 35.731; em 1998, de 581.753; e no ano passado o número de postos de trabalho perdidos foi de 196.001.
Pela análise divulgada ontem pelo Ministério do Trabalho, tendo por base o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mais da metade dos empregos gerados em maio foram no setor agrícola. Dos 162.847 empregos líquidos do mês, 82.398, ou 50,6% do total, são relacionados à agricultura. Embora maio seja um mês de pleno ciclo agrícola no Centro-Sul do País, os técnicos avaliaram que o desempenho do setor também foi influenciado por fatores macroeconômicos.
O único segmento com resultado negativo foi o serviço industrial de atividade pública, que fechou 2.108 postos de trabalho. A indústria de transformação foi responsável pela geração de 42.442 postos de trabalho, o comércio por 14.920, e os serviços por 19.526 postos de trabalho. Os técnicos do Ministério do Trabalho chamaram a atenção para o desempenho positivo da construção civil e das instituições financeiras.
Na avaliação dos técnicos, o setor da construção civil, que registra dois meses consecutivos de desempenho positivo, pode ter revertido o choque setorial negativo que vem sofrendo desde o fim de 1998.
O ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, animado com os mais recentes números do mercado de trabalho, alterou para cima, ontem, a meta de criação de empregos do governo para o triênio 2000-2003. Segundo ele, em vez de 8,5 milhões de novos postos de trabalho em todo o País, serão criados ‘‘pelo menos 10 milhões’’.

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