Curitiba - O salário mínimo regional do Paraná pode ter um reajuste de 10,32% neste ano. Ao menos, essa foi a proposta aprovada pelo Conselho Estadual do Trabalho. Caso este índice passe pela Assembleia Legislativa do Paraná e seja sancionado pelo governador Beto Richa, o salário teria um aumento real de 5,1% acrescido de 4,97% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e seriam injetados até R$ 71 milhões novos na economia paranaense. O aumento deve beneficiar cerca de 900 mil trabalhadores que já recebem cerca de R$ 751 milhões.
A estimativa de valores e número de trabalhadores beneficiados é do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Dentro dos 900 mil beneficiados diretamente pelo novo mínimo, seriam cerca de 200 mil domésticos e não sindicalizados e 700 mil formais que ganham até 1,5 salário mínimo nacional.
O percentual de 10,3% foi apontado pelos técnicos do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). As centrais sindicais reivindicam um aumento de 14% e os sindicatos patronais defendiam um índice entre 6,5% e 8,5%. O piso, válido para o Paraná, varia hoje de R$ 708,14 e R$ 817,78 e o novo mínimo deve entrar em vigor no próximo dia 1º de maio. Caso, o índice de 10,32% seja aprovado pela Assembleia Legislativa, o mínimo do Paraná vai variar entre R$ 781,88 e R$ 902,17. O valor é maior do que o salário mínimo nacional, que é de R$ 622,00 e entrou em vigor em 1º de janeiro, quando foi reajustado em 14,13%
Para o diretor de pesquisa do Ipardes, Julio Suzuki, o índice de reajuste assegura o poder de compra dos trabalhadores e, ao mesmo tempo, mantém a competitividade das empresas do Paraná. ''O mercado está aquecido e é possível que as empresas absorvam o aumento'', ccomentou.
A proposta aprovada pelo Conselho Estadual do Trabalho foi encaminhada ao governador para análise. A previsão do secretário estadual do Trabalho e Emprego, Luiz Cláudio Romanelli, é que na próxima semana seja analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e pela Comissão de Finanças da Assembleia e, em seguida, siga para votação em plenário. O Conselho ainda propôs um reajuste do mínimo regional para 2013 de 5,1% de aumento real mais o INPC acumulado nos próximos 12 meses. Romanelli acredita que a proposta de reajuste passe com facilidade pela Assembleia.
A política de reajuste do mínimo regional do Paraná está fundamentada em duas diretrizes: recomposição do poder de compra do piso regional de salário mínimo (defasado pela inflação) e aumento real com base no crescimento da economia paranaense. Para o cálculo foi considerado o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 7,5% em 2010 e de 2,7% em 2011.
O economista do Dieese, Cid Cordeiro, disse que o reajuste do mínimo regional pode tornar-se referência e trazer impacto indireto para as negociações salariais dos trabalhadores que fazem parte de outros sindicatos que não têm relação direta com o mínimo regional.
Sandro Silva, que também é economista do Dieese, disse que os últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNaD) de 2009 apontam que apenas 27% dos empregados domésticos do Paraná trabalham na formalidade e o todo o restante são informais. Ele também lembrou que ainda há categorias no Estado que recebem menos que o mínimo regional em setores como as indústrias de açúcar, carnes e aves.

Imagem ilustrativa da imagem Aumento do mínimo estadual pode injetar até R$ 71 mi
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