Aumento do IOF preocupa comércio
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quinta-feira, 18 de abril de 2002
Agência Estado 
Rio de Janeiro A perspectiva de elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) está preocupando os empresários do comércio, que já começam a rever a expectativa de melhoria do desempenho do setor a partir de maio.
Estamos perplexos com a possibilidade de elevação da alíquota, disse o presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Sebastião Mauro Figueiredo Silva.
Segundo ele, as consequências negativas para o comércio vão ocorrer no crediário e até mesmo na falta de estímulo do consumidor, que acaba se retraindo com medo de ficar inadimplente.
Para Figueiredo Silva, caso o aumento seja confirmado, os segmentos mais afetados serão as próprias financeiras que trabalham com o comércio e as lojas de móveis, automóveis e eletrodomésticos.
Ele explicou que os lojistas esperavam melhora nas vendas a partir de maio por causa da coincidência de eventos importantes para o setor como Dia das Mães, lançamento das coleções de inverno e proximidade da Copa do Mundo. As vendas de televisores para a Copa, por exemplo, serão prejudicadas, disse.
Impacto imediato Concorda com ele o economista do Instituto Fecomércio do Rio de Janeiro e da PUC-RJ, Luiz Roberto Cunha. Para ele, o aumento temporário do IOF terá impacto muito forte sobre a atividade econômica, especialmente o comércio.
O argumento é que as mudanças nas taxas de juros não têm consequências imediatas no comércio, enquanto qualquer alteração no IOF tem impacto imediato sobre o setor.
Os segmentos mais afetados, segundo Cunha, serão os bens duráveis, especialmente eletrodomésticos e automóveis. Quanto mais alto o valor do produto, maior a necessidade de financiamento e, portanto, os efeitos, disse.
Cunha lembrou que o comércio vem registrando quedas consecutivas nas vendas. O setor está demorando a deslanchar e o IOF será um impacto adicional, afirmou.
O comércio varejista amargou queda de 1,25% nas vendas nos últimos 12 meses até fevereiro, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O setor vem apresentando quedas consecutivas nas vendas desde abril do ano passado, trajetória só interrompida em outubro em consequência do Dia das Crianças.


