O aumento de 25% para 27% de etanol na gasolina deve incrementar o mercado de álcool anidro em até 1,2 bilhão de litros por ano e o Paraná pode abocanhar 10% dessa nova demanda, cerca de 120 milhões de litros. A previsão é da Associação dos Produtores de Bionergia do Estado do Paraná (Alcopar). A presidente Dilma Roussef assinou, no início da noite de ontem, resolução que autoriza a comercialização da nova composição a partir de 16 de março.
O Paraná responde hoje por cerca de 7,5% do mercado sucroalcooleiro no País e tem 28 usinas em funcionamento, cada uma gerando cerca de 1,5 mil empregos. Miguel Tranin, presidente da Alcopar, diz que a produção de etanol na safra 2014/15 chegou a 1,6 bilhão de litros, sendo a maior parte (1,77 bilhão de litros) de hidratado, o álcool puro. O anidro, que entra na composição com a gasolina, alcançou 528,78 milhões de litros, crescimento de 11,9% em relação à safra anterior.
Alguns fatores, como a queda no preço do açúcar no mercado externo e o aumento no consumo de combustíveis, impulsionaram a produção do etanol anidro no Estado. Para Tranin, a confirmação da medida veio em um prazo suficiente para garantir o planejamento das indústrias, uma vez que o anidro tem custo maior de produção. Ele defende que o aumento da mistura traz benefícios para o setor, para os consumidores e para a economia do País.
"O etanol comprovadamente polui menos, teremos uma gasolina melhorada, e poderá até diminuir a necessidade de importação de combustível pela Petrobras", estima Tranin. Segundo ele, o fornecimento do etanol anidro para as distribuidoras significa uma segurança para as indústrias, por ser previamente contratado por 12 meses.
"Isso acaba virando um ativo, dá uma facilidade de acesso ao crédito", diz. Apesar da expectativa diante da medida, empresários do setor esperam novas políticas governamentais de incentivo, especialmente para recuperação e reativação dos investimento no setor, em função do grande endividamento. João Cleiton Alves de Lima, coordenador comercial da Usina Bandeirantes, produtora de álcool hidratado, classifica o aumento da mistura como um paliativo.
"Primeiro tem que implementar para depois ver como o mercado vai reagir; falta uma política econômica por parte do governo", defende ele. Mesmo assim, Lima acredita que o crescimento da demanda por anidro trará novas oportunidades para quem se dedica ao hidratado.
Júlio Ito, gerente industrial da Destilaria Americana, por outro lado, tem boas expectativas com a resolução. "Apesar de não ser um valor muito grande (da mistura), tudo que vier em prol do setor é bom; o setor passa por dificuldade muito grande", diz. Ito conta que, no próximo mês, começa um novo ciclo de produção de etanol e ainda há estoque do ano passado, uma vez que muitas usinas optaram por produzir o combustível ao invés do açúcar.

Reunião
Hoje, o presidente da Alcopar participa de uma reunião em Goiânia (GO), onde governos dos seis maiores estados produtores (Paraná, São Paulo, Minas gerais, Mato Grosso do Sul, Alagoas e Pernambuco) discutirão medidas de apoio ao setor sucroalcooleiro. Segundo ele, deve ser avaliado o diferencial de alíquota entre etanol e gasolina, como uma forma de incentivo, entre outros medidas.

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