Aumento do consumo eleve preço do milho
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quinta-feira, 16 de junho de 2011
Mariana Fabre <br> Reportagem Local 
Os preços do milho segunda safra - safrinha - no Paraná aumentaram 72% em relação ao mesmo período do ano passado. Atualmente, o produtor recebe R$ 24,23 pela saca de 60 quilos, enquanto que em junho de 2010 o valor era de R$ 14,08. A alta, segundo analistas, foi impulsionada pelo aumento do consumo do grão nos mercados interno e externo. Nos últimos cinco anos, o consumo no Brasil cresceu 14%.
De acordo com a engenheira agrônoma do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), Margorete Demarchi, o mercado externo está muito favorável e boa parte da produção nacional destina-se à exportação. Atualmente o Brasil é o terceiro maior exportador de milho, atrás apenas dos Estados Unidos e Argentina. ''O mercado interno tem que pagar mais porque senão o produto segue para o exterior'', argumenta. Dentre os principais importadores brasileiros estão Irã e União Europeia.
Segundo a engenheira, outro fator que impulsionou o aumento foi o fato de que os preços estavam baixos anteriormente. Margorete revela que, apesar da grande redução de área plantada com milho no Paraná durante o verão, não há falta do produto no mercado. O consumo brasileiro de milho é de 48 milhões de toneladas por ano e, de acordo com a agrônoma, a produção deste ano deve atender 84% da demanda interna. ''A produção, somada ao estoque e à importação, atende totalmente a demanda'', esclarece.
No País, a safrinha é responsável por 38% da produção total de milho. Já no Paraná, o milho safrinha deve superar a produção do milho primeira safra. Dados do Deral apontam que na safra verão, o Estado produziu 5,86 milhões de toneladas de milho, enquanto a expectativa para o safrinha é de uma produção de 7,42 milhões de toneladas.
Os preços favoráveis ao agricultor prejudicam, em contrapartida, outros segmentos da cadeia produtiva. ''Os preços do milho estão se aproximando de um teto preocupante enquanto insumo para ração animal'', ressalta a agrônoma. Segundo ela, os altos preços dos farelos de milho e soja - utilizadas como base da ração animal - encarecem os custos para os produtores de leite, suínos e frango. No caso da suinocultura, o farelo de milho é responsável por 70% da alimentação.
Clima
As chuvas dos últimos dias amenizaram os prejuízos causados pela estiagem que afetou as lavouras paranaenses de milho safrinha no início do cultivo. No entanto, a agrônoma do Deral lembra que em algumas regiões, como as do arenito, a seca já havia ocasionado perdas de produtividade. Em maio, a estimativa era de redução de 1,5% no potencial produtivo. ''Até o momento, apenas 3% da safra foi colhida e precisamos de mais tempo para avaliar os prejuízos na produção'', justifica.
Em relação às ventanias ocorridas em alguns locais do Estado, que resultaram em lavouras acamadas, Margorete explica que esses fatores são pontuais e isolados. ''Dependendo da fase em que se encontra o milho quando acamado, os produtores podem ter perdas mais expressivas. Mas isso não afeta o desempenho da safra'', salienta.
Segundo ela, a estiagem não costuma afetar a qualidade dos grãos de milho a ponto de afetar o preço. ''A seca pode acarretar em grãos menores e, em alguns casos, o produtor pode receber menos por não atender ao padrão para exportação'', aponta.


