Aumento do capital social deve reforçar caixa da Sanepar
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sexta-feira, 14 de março de 2014
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - O projeto de lei que autoriza o governo do Estado a aumentar o capital social da Sanepar para até R$ 4 bilhões através da emissão de ações preferenciais deve ser votado pela Assembleia Legislativa na próxima semana. Na prática, isso significa que a empresa poderá lançar até R$ 1,4 bilhão em ações preferenciais - sem direito a voto - no mercado, já que, até o final do ano passado o capital social da companhia era de R$ 2,6 bilhões. Analistas de investimentos ouvidos pela Folha, acreditam que o principal motivo desta operação é vender ações para investidores com o objetivo de reforçar o caixa da Sanepar.
Caso também ocorra uma emissão secundária - situação na qual o acionista controlador vende ações preferenciais dele - os recursos também podem entrar para o caixa do governo do Estado. Não é uma privatização. É uma capitalização para buscar recursos, mas sem vender o controle acionário, explicou o presidente da Associação dos Analistas de Mercado de Capitais da Região Sul (Apimec-Sul), Marco Antônio dos Santos Martins.
No entanto, segundo ele, o momento é negativo para fazer uma emissão de ações, já que a Bovespa está em baixa. Será que é o momento de vender ações já que a bolsa vem caindo?, disse. Ele também questionou esta emissão de ações em um final de mandato e com a economia brasileira patinando.
O projeto de lei permite apenas a emissão de ações preferenciais, que não têm direito a voto, ou seja, o governo deve manter sua proporção no controle acionário da empresa, que hoje é de 60%. A holding Dominó detém 39,7% e há 0,3% de outros parceiros privados. Ainda não se sabe quantas ações serão vendidas e qual o valor.
Segundo Martins, a ideia do aumento do capital social é muito boa e o mercado internacional vê isso com bons olhos. No entanto, não seria o momento mais adequado.
O analista de mercado Raphael Cordeiro acredita que este projeto de lei tem como objetivo levar a empresa a captar recursos no mercado para fazer investimentos na Sanepar. No entanto, ele destacou que as informações sobre todo este processo teriam que ser mais claras. A empresa terá que explicar aos investidores o que pretende fazer com os recursos, disse.
O governo do Estado informou que não ia se manifestar a respeito da análise feita pelos especialistas procurados pela Folha atendendo às regras impostas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), já que a companhia tem capital aberto.
Balanço
No último balanço divulgado pela companhia, referente ao período de janeiro a setembro de 2013, foi registrado um lucro líquido de R$ 314,887 milhões, valor 4,8% maior do que o lucro líquido de R$ 300,290 milhões obtido no mesmo período de 2012.
De acordo com Cordeiro, com menos lucro líquido há um volume menor de recursos para investir. O último balanço também apontou que as despesas gerais e administrativas cresceram 22% e atingiram R$ 309 milhões de janeiro a setembro de 2013. Isso reduziu a margem de lucro da companhia, explicou.
Para o dia 26 de março, a empresa fará uma assembleia geral extraordinária com os seus acionistas para discutir, entre outros temas, a adesão da companhia ao Nível 2 de Governança Corporativa da BM&FBovespa. Martins disse que o Nível 2 representa mais transparência para a empresa. Quanto maior a transparência, cai o risco da companhia, disse. Com isso, a empresa é mais bem vista pelos acionistas minoritários, segundo Cordeiro.
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