Curitiba - O projeto de lei que autoriza o governo do Estado a aumentar o capital social da Sanepar para até R$ 4 bilhões através da emissão de ações preferenciais deve ser votado pela Assembleia Legislativa na próxima semana. Na prática, isso significa que a empresa poderá lançar até R$ 1,4 bilhão em ações preferenciais - sem direito a voto - no mercado, já que, até o final do ano passado o capital social da companhia era de R$ 2,6 bilhões. Analistas de investimentos ouvidos pela Folha, acreditam que o principal motivo desta operação é vender ações para investidores com o objetivo de reforçar o caixa da Sanepar.
Caso também ocorra uma emissão secundária - situação na qual o acionista controlador vende ações preferenciais dele - os recursos também podem entrar para o caixa do governo do Estado. ‘’Não é uma privatização. É uma capitalização para buscar recursos, mas sem vender o controle acionário’’, explicou o presidente da Associação dos Analistas de Mercado de Capitais da Região Sul (Apimec-Sul), Marco Antônio dos Santos Martins.
No entanto, segundo ele, o momento é negativo para fazer uma emissão de ações, já que a Bovespa está em baixa. ‘’Será que é o momento de vender ações já que a bolsa vem caindo?’’, disse. Ele também questionou esta emissão de ações em um final de mandato e com a economia brasileira ‘’patinando’’.
O projeto de lei permite apenas a emissão de ações preferenciais, que não têm direito a voto, ou seja, o governo deve manter sua proporção no controle acionário da empresa, que hoje é de 60%. A holding Dominó detém 39,7% e há 0,3% de outros parceiros privados. Ainda não se sabe quantas ações serão vendidas e qual o valor.
Segundo Martins, a ideia do aumento do capital social é muito boa e o mercado internacional vê isso com bons olhos. No entanto, não seria o momento mais adequado.
O analista de mercado Raphael Cordeiro acredita que este projeto de lei tem como objetivo levar a empresa a captar recursos no mercado para fazer investimentos na Sanepar. No entanto, ele destacou que as informações sobre todo este processo teriam que ser mais claras. ‘’A empresa terá que explicar aos investidores o que pretende fazer com os recursos’’, disse.
O governo do Estado informou que não ia se manifestar a respeito da análise feita pelos especialistas procurados pela Folha atendendo às regras impostas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), já que a companhia tem capital aberto.

Balanço
No último balanço divulgado pela companhia, referente ao período de janeiro a setembro de 2013, foi registrado um lucro líquido de R$ 314,887 milhões, valor 4,8% maior do que o lucro líquido de R$ 300,290 milhões obtido no mesmo período de 2012.
De acordo com Cordeiro, com menos lucro líquido há um volume menor de recursos para investir. O último balanço também apontou que as despesas gerais e administrativas cresceram 22% e atingiram R$ 309 milhões de janeiro a setembro de 2013. ‘’Isso reduziu a margem de lucro da companhia’’, explicou.
Para o dia 26 de março, a empresa fará uma assembleia geral extraordinária com os seus acionistas para discutir, entre outros temas, a adesão da companhia ao Nível 2 de Governança Corporativa da BM&FBovespa. Martins disse que o Nível 2 representa mais transparência para a empresa. ‘’Quanto maior a transparência, cai o risco da companhia’’, disse. Com isso, ‘’a empresa é mais bem vista pelos acionistas minoritários’’, segundo Cordeiro.


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