O possível aumento dos subsídios do governo americano aos produtores de algodão do país vai afetar a produção brasileira e já levou o governo a se mobilizar. O Ministério da Agricultura começa a levantar informações técnicas para contestar na Organização Mundial do Comércio (OMC) as subvenções do governo dos EUA. ‘‘Os subsídios americanos de US$ 4 bilhões estão derrubando o preço do algodão no mercado internacional’’, diz o diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Hélio Tollini.
Segundo ele, a produção brasileira de algodão, que chegou a 940 mil toneladas no último ano, pode cair para 700 mil toneladas este ano, principalmente por causa da distorção de preço do mercado internacional. ‘‘O produtores brasileiros estão temerosos. Os preços do algodão já estão baixos e podem cair mais’’, diz.
O risco, observa, é o País voltar a aumentar a importação do produto e reduzir suas vendas externas. No ano passado, o Brasil vendeu para o exterior 131 mil toneladas e importou 180 mil. Mas como houve uma queda no consumo, ficou com um excedente de 200 mil toneladas que começa a ser escoado. ‘‘Temos potencial para não importar nada e exportar muito mais’’, diz o diretor da Abrapa. Porém, observa, com a possibilidade de o governo americano elevar ainda mais os subsídios dos produtores americanos a situação fica mais complicada.
A Câmara dos Deputados já aprovou a elevação do subsídio do algodão para US$ 0,68 por libra-peso, quando no mercado internacional a cotação está em torno de US$ 0,30, de acordo com a Abrapa. Para a aplicação do aumento do subsídio falta a aprovação do Senado.
A primeira etapa de questionamento dos subsídios americanos na OMC será uma consulta informal. ‘‘O governo está levantando dados técnicos para analisar os efeitos dos programas americanos na produção brasileira’’, diz Tollini.
O ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, disse recentemente que os prejuízos causados pelos subsídios ao algodão estão sendo calculados. Mas estimou que a área plantada no Brasil poderá ser reduzida em quase 16% na próxima safra devido à queda dos preços no mercado internacional.

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