Aumento de reservas mostra confiança de estrangeiros
A recuperação de US$ 2 bilhões nas reservas cambiais - obtida principalmente nas duas últimas semanas - significa aumento da confiança externa no Brasil e permite que Brasil volte a emitir bônus lá fora. Os preços tendem a ser mais altos que aqueles pagos antes da crise asiática, mas os papéis serão aceitos com facilidade, segundo avaliação de economistas e consultores.
O ritmo de recomposição das reservas cambiais é um sinal positivo, mesmo sendo mais lento do que o ocorrido após a crise de 1995, detonada pelo México. A lentidão reflete a incerteza dos investidores com relação aos países emergentes, dizem os economistas. A recomposição de US$ 2 bilhões é um bom sinal, mas o Brasil ainda está sensível às flutuações do mercado internacional, pondera Odair Abate, economista-chefe do Lloyds Bank.
Roberto Padovani, da Trend Consultoria Econômica, lembra que em março de 95 o Banco Central elevou os juros para proteger as reservas brasileiras dos efeitos da crise mexicana. As reservas locais caíram até maio daquele ano, mas ao final de seis meses o saldo acumulado já era positivo em mais de US$ 14 bilhões, diz Padovani. Naquela oportunidade, a entrada de capitais foi mais sensível ao aumento dos juros que o verificado agora, após a crise asiática, acrescenta.
Para Carlos Guzzo, chefe do Departamento Econômico do Banco Pontual, não há motivos para euforia com o aumento de US$ 2 bilhões nas reservas. Esse volume, explica, era esperado para o mês de janeiro, que fechou em pouco mais de US$ 900 milhões e ficou abaixo da estimativa inicial. O soluço da crise asiática no início de janeiro impediu uma recomposição mais forte no mês passado e os recursos estão entrando agora, pondera Guzzo. Ele prevê um movimento forte de entrada de recursos com a privatização, que ajudará a elevar as reservas para perto de US$ 60 bilhões ao final do mês de abril.
Abate, do Lloyds, mantém suas previsões de recuperação gradual das reservas. Para voltar ao nível de US$ 63 bilhões (volume anterior à crise asiática) serão necessários mais seis ou sete meses. E a privatização vai ser importante para esta recuperação, observa, ponderando que também a estabilidade asiática é um fator importante para o fluxo de recursos em direção ao Brasil se manter positivo.
Para Dany Rappaport, economista-chefe do Banco Santander, a emissão que está sendo preparada pelo governo brasileiro será aceita no mercado externo, mas o preço a ser pago será bem superior aos lançamentos anteriores à crise. A última emissão do governo brasileiro foi em maio de 1997, quando bônus da República foram colocados a 395 pontos acima da taxa do Tesouro norte-americano e por um prazo de 30 anos. A estimativa do Santander é que a emissão alcance taxa entre 350 e 400 pontos acima da taxa americana.





