Aumento de renda favorece todos os setores
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quarta-feira, 15 de agosto de 2007
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O aumento da renda dos trabalhadores reflete nas vendas do comércio. O supervisor técnico do Dieese, Cid Cordeiro, explica que, nos últimos anos, o Brasil vem reduzindo os índices de desigualdade por dois fatores, o aumento do salário mínimo e os programas sociais do governo federal como o Bolsa-Família.
Ele disse que todos os setores do comércio acabam tendo ganhos com o aumento da renda mas, os que mais sentem impacto são alimentação, vestuário e bens semi-duráveis. Outros fatores também contribuíram para a elevação das vendas do comércio como o alongamento dos prazos de financiamento e a redução dos juros. ''Hoje, o consumidor tem até 72 meses para pagar um carro com taxa de juros mensal que varia de 0,5% a 1,5%'', disse.
A venda de imóveis também teve reflexos do aumento da renda. O vice-presidente de lançamentos e comercialização imobiliária do Secovi-PR (Sindicato da Habitação), Paulo Celles, disse que os principais fatores que elevaram as vendas foram o ganho real nos salários, a melhora na economia que deu mais estabilidade aos trabalhadores, o aumento das ofertas de financiamento por parte dos bancos e a queda nas taxas de juros.
O Secovi estima que houve um crescimento de 20% a 25% nas vendas de imóveis novos em Curitiba no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Londrina também teve crescimento na mesma proporção. Segundo ele, os imóveis mais procurados são os da faixa de R$ 120 mil a R$ 180 mil. ''O financiamento é decisivo para a compra. A maior parte das pessoas recorre a financiamentos'', disse.
A locação de imóveis também sofreu aquecimento. O vice-presidente de locação e administração imobiliária do Secovi-PR, Luiz Valdir Nardelli, disse que muita gente aproveitou a alta oferta de imóveis e os preços baixos para aumentar o padrão de habitação na locação. ''Com a melhoria de renda da população e a estabilidade, o trabalhador fica mais propenso ao consumo'', explica.
Segundo ele, as locações tiveram um impacto tão positivo que hoje não há mais quase imóveis na faixa de R$ 500 a R$ 600 para alugar na Capital. Nardelli disse que há dois anos, Curitiba tinha 1.800 imóveis nestes valores para locar. Hoje são apenas 200. De acordo com ele, este mesmo comportamento também foi verificado em Londrina. Hoje, os imóveis mais procurados para locação são de dois ou três quartos até R$ 700 e tamanho entre 80 a 120 metros quadrados.


