A intenção da Arábia Saudita de elevar imediatamente a produção mundial de petróleo em 500 mil barris diários, divulgada anteontem, provocou um racha entre os produtores. Mesmo assim, os preços do petróleo recuaram ontem em Londres, um dos principais mercados mundiais para negociação do óleo. O preço do barril do tipo brent (referência internacional) para venda em agosto terminou o dia cotado a US$ 29,58, com queda de 5,34% em relação ao dia anterior. Ontem, o mercado em Nova York não operou devido ao feriado.
O mercado entendeu que os sauditas estão realmente dispostos a elevar a oferta e que terão força suficiente para convencer os outros membros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) a apoiá-los.
A Venezuela, terceiro maior exportador mundial de petróleo, desaprovou a atitude da Arábia Saudita. O presidente, Hugo Chávez, disse ontem que não elevaria a produção de petróleo para fortalecer uma decisão isolada. ‘‘Falei com o rei Fahd, da Arábia Saudita, e o lembrei sobre a necessidade de haver apoio da Opep’’, disse Chávez. ‘‘Existe pressão para que apoiemos essa decisão, mas nós aguardaremos o consenso.’’ O ministro das Minas e Energia da Venezuela, Ali Rodriguez, que é o atual presidente da Opep, disse que está conversando com os produtores para definir uma estratégia de ação.
A iniciativa saudita acontece dez dias depois que a Opep acordou uma alta de 708 mil barris diários na produção mundial, com o objetivo de derrubar os preços do óleo para o patamar dos US$ 25 o barril.
Ao lado da Venezuela, grandes produtores mundiais como Irã e Kuait também desaprovaram o anúncio da Arábia Saudita. ‘‘Qualquer decisão deve ser tomada de acordo com a maioria na Opep’’, disse o ministro do Petróleo do Irã, Bijan Zanganeh.
Já alguns produtores independentes, como México e Estados Unidos, se mostraram inclinados a aceitar um aumento de produção. O recém-eleito presidente do México, Vicente Fox, disse que deverá manter a linha de atuação de seu antecessor e que lutará contra a instabilidade dos preços do petróleo, de acordo com os maiores produtores mundiais. Ontem à tarde, os Emirados Árabes Unidos disseram que estariam dispostos a aumentar sua produção petrolífera, desde que houvesse uma decisão coletiva na Opep.

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