A alta da taxa básica de juros, a Selic, para 14,25% ao ano deve trazer efeitos imediatos para o consumidor final. A alta dos juros básico foi definida em reunião do Copom na quarta-feira à noite. Uma simulação realizada pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) mostrou que, com o aumento da Selic, a taxa média de juros para pessoa física passa de 6,94% ao mês para 6,98%, o que representa um acréscimo de 0,58%. Ao ano, a taxa sobe de 123,62% para 124,63% ou uma elevação de 0,81%.
As taxas mais caras ainda continuam sendo do cartão de crédito (314,51% ao ano) e do cheque especial (215,56% ao ano). Para o vice-presidente da Anefac, Miguel Ribeiro de Oliveira, o aumento da Selic foi um mal necessário já que o câmbio está pressionado e a redução da meta de superavit primário trouxe desconfiança ao mercado.
"Como há desconfiança por parte do mercado na atuação do Banco Central, com o aumento dos juros na última quarta-feira, o banco quis dizer que está atento e que vai reduzir a inflação", disse Oliveira.
A dica dele e do economista e professor da FAE Business School, Gilmar Mendes Lourenço, para o consumidor é evitar o crédito. Caso seja necessário utilizá-lo, Oliveira recomenda pesquisar taxas de juros e fazer no prazo mais curto possível. Uma alternativa seria escolher o crédito mais barato, como o consignado. Oliveira acredita que esta será a última alta da taxa Selic no ano, como o BC já sinalizou.
Lourenço disse que esta última elevação da Selic já era esperada pelos mercados, porque a inflação continua subindo. "O governo flexibilizou a meta fiscal e, com isso, transferiu o controle da inflação para o Banco Central", destacou. No entanto, Lourenço disse que nos últimos meses é como se o BC viesse "enxugando gelo", já que a inflação não tem dado sinais de queda. Segundo ele, boa parte da inflação veio dos aumentos dos preços administrados como energia elétrica, transportes e combustíveis.
Ele explicou que nos últimos meses os empresários têm a expectativa de que o cenário econômico pode piorar e reagem aumentando preços. Lourenço também acredita que a taxa de juros deva estabilizar a partir de agora.
No período de março/2013 a junho/2015 o Banco Central elevou a Selic de 7,25% ao ano para 13,75% ao ano. Com isso, a taxa média de juros subiu 27,90% ao mês e 39,74% ao ano. Nesse período, as taxas passaram, em média, de 5,42% para 6,94% ao mês e de 88,47% para 123,62% ao ano.
Para o superintendente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Everton Correia, quando o governo eleva juros está visando conter a demanda. "Mas a demanda já está deprimida", afirmou. Ele acredita que o aumento dos juros não terá eficácia de redução de consumo, porque já caiu bastante. "O crédito diminui porque o risco tende a aumentar", prevê. Mas, segundo ele, isso tudo não significa que os preços para o consumidor final vão cair.
"Temos dúvidas se o aumento dos juros vai reduzir a inflação", disse. Ele também acredita que a inflação não tem origem apenas no aumento dos preços dos produtos, mas também nos preços administrados.

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