O número de fusões e aquisições cresceu 8% no primeiro semestre do ano no Brasil em relação ao mesmo período do ano passado. Balanço da auditoria e consultoria PwC aponta que foram 397 transações frente 365 até junho de 2011. O envolvimento de capital estrangeiro passou de 40% no ano passado para 44% em 2012, o que demonstra que investidores identificam o País como seguro para oportunidades.
No primeiro semestre de 2011, foram 122 negociações com multinacionais, ou 40%, e 180 apenas entre brasileiros. No mesmo período de 2012, o envolvimento de empresas do exterior passou a 153, ante 194 de companhias locais. A soma inclui apenas compras e vendas, sem acordos.
No mesmo ritmo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul ganham poder de investimento por meio de negociações com grupos estrangeiros e nacionais. Com participação de 10,1% no semestre e de 12% até julho, a Região Sul é a com maior destaque fora do eixo Rio-São Paulo.
Paraná e Rio Grande do Sul dominam com cerca de 45% cada no total de transações do Sul, segundo o gerente sênior da PwC, Mikail Ojevan. Ele conta que a maioria das associações em solo paranaense ocorreu no setor de agronegócios. Porém, destaca também os ramos de construção civil e imobiliário, seguidos pelos de tecnologia de informação (TI), logística e transporte.
No Estado, segundo Ojevan, há uma tendência à profissionalização de empresas que começaram com estrutura familiar. ''Facilita para quem quer abrir capital e impacta no porte e na governança das empresas.'' O gerente da PwC afirma que, como o mercado brasileiro é emergente, virou foco dos estrangeiros. ''Eles veem o País como potência para crescer, que investe pesado na infraestrutura.''
Ojevan não considera negativo que empresas locais vendam parcelas de capital a investidores de outros estados ou países porque isso gera desenvolvimento regional. Com mais capital, a empresa injeta recursos que não teria e gera empregos, com crescimento estimado em 40%.
Centro das atenções
Sócio da PwC, Alexandre Pierantoni afirma que um dos pricipais exemplos de aquecimento no País são os investimentos de private equity (participação privada, em tradução livre), que estão presentes em cerca de 40% das aquisições e fusões no Brasil até junho. São casos nos quais grupos que não pertencem ao mesmo ramo compram participação em empresas já consolidadas, para dar impulso financeiro.
A modalidade permite ainda a troca de informações entre investidor e companhia, em busca de melhor posicionamento no mercado. O objetivo na modalidade private equity é revender a participação com lucratividade. ''Não é apenas um investimento financeiro. O grupo entra no negócio para buscar crescimento, mas sai um dia'', diz Pierantoni.
O private equity se difere de transações que envolvem empresas que atuam em um mesmo ramo e pretendem apenas se consolidar. Ele explica que é um tipo de investidor que identifica a necessidade de ganhar terreno no mercado e usa o conhecimento empresarial para contribuir com a administração de companhias. Por isso, hoje são essenciais tanto para nações em desenvolvimento quanto para recuperação de economias consolidadas e afetadas pela crise.

Imagem ilustrativa da imagem Aumento de fusões e aquisições mostra foco estrangeiro no País
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