O ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, levantou na noite de anteontem, em evento na capital paulista, a possibilidade de aumentar ainda neste ano a quantidade de álcool anidro na gasolina, de 20% para 25%. A mudança faz parte das medidas estudadas após o anúncio de prejuízo de R$ 1,3 bilhão da Petrobras, no segundo trimestre do ano. Apesar de certa resistência da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), a mudança é considerada possível pela Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar).
Lobão planeja reajustar a gasolina também até o fim deste ano, o que deve fazer com que o etanol volte a ficar com preço vantajoso em relação ao combustível refinado. Assim, a procura por álcool hidratado aumentaria nos postos. Hoje, apenas os Estados de São Paulo, Mato Grosso e Goiás oferecem o biocombustível com valor abaixo dos 70% cobrados pela gasolina.
Para o presidente interino da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, é preciso analisar o cenário, o que deve ocorrer em reunião no dia 29, em Brasília, entre representantes da indústria, do governo e das distribuidoras. ''Existem vários fatores envolvidos, como o andamento da própria demanda de hidratado, que compete nos postos com a gasolina'', disse ontem, após reunião da Câmara Setorial do Açúcar e Álcool, na capital brasileira.
Porém, o superintendente da Alcopar, José Adriano da Silva Dias, disse que basta vontade política para conseguir aumentar a produção de álcool anidro. ''Se o governo tomar esta medida, vamos fazer.''
Dias lembrou que o etanol não é competitivo em relação à gasolina porque o governo interferiu no mercado, ao segurar o preço do combustível refinado desde 2005. Como o custo de produção do biocombustível aumentou no período, as vendas caíram em 35%, disse o superintendente.
Com um estoque de etanol considerado razoável, o representante da Alcopar afirmou que será possível reduzir o foco na produção do hidratado, vendido em postos, para o anidro, misturado na gasolina. ''Hoje nós priorizamos o hidratado, mas nada impede que passemos ao anidro. Basta ter vontade política'', contou Dias, que não apontou números de estoque por estar em viagem.
Em baixa
A Petrobras teve no segundo trimestre do ano o primeiro resultado negativo em 13 anos, com prejuízo de R$ 1,3 bilhão. A presidente da companhia, Graça Foster, disse que a defasagem no preço da gasolina no Brasil em relação à importada não é a única causa da baixa. Mesmo assim, Lobão disse que o reajuste da gasolina é a principal ajuda que poderia partir do governo federal, o que ajudaria também o mercado de etanol. (Com Agências)

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