Aumento de energia provoca ‘efeito cascata’
O aumento médio de 11,32% na energia elétrica não vai elevar apenas as contas mensais dos consumidores em todo o País. O reajuste terá um impacto maior para o consumidor porque atingirá, em ‘‘efeito cascata’’, também os setores industrial e comercial. Assim, outros produtos deverão ter reajustes.
Em São Paulo, a Fipe estimou que o custo de vida subirá 0,74% somente por conta da alta de 20,96% nas contas de energia. O aumento será dividido entre este mês e agosto. Assim, o aumento total só será sentido nas contas de energia de setembro.
Quantificar o peso do aumento final no bolso do consumidor, entretanto, é difícil. Segundo Pio Gavazzi, diretor de Infra-estrutura Industrial da Fiesp, alguns setores terão impacto maior devido ao uso intensivo de energia na industrialização, como os de alumínio e ferro-ligas.
Ele lembra, porém, que muitos setores - ainda que usem bastante energia - não terão condições de repassar ao preço final dos produtos todo o impacto resultante do aumento de 20,96%. Um desses setores, segundo Gavazzi, é o têxtil, pois as vendas estão retraídas. ‘‘Algumas indústrias vão aumentar; outras vão ter de segurar os reajustes.
Marcelo Allain, economista do banco BMC, faz a mesma avaliação. ‘‘O aumento tende a ser generalizado, incluindo a agricultura. Alguns setores, porém, terão de absorver a alta de custos. Como o impacto final poderá pesar no orçamento doméstico de forma acentuada, Allain prevê até que o consumo de outros bens poderá sofrer redução.

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