Curitiba - O aumento médio de 15,8%, anunciados para o mês de maio, para os consumidores de energia elétrica da Companhia Campolarguense de Energia (Cocel) está provocando desentendimentos entre consumidores e distribuidora. As indústrias de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, estão alegando perda de competitividade com o aumento da energia. A Cocel se defende e diz que fica com apenas 15% do custo da energia. O restante vai para o pagamento de impostos e encargos nas tarifas de energia elétrica.
O presidente do Sindicato da Indústria da Louça de Campo Largo, José Canisso, disse que as indústrias estão impedidas de remunerar melhor seus funcionários e negociar mais vantagens com os fornecedores por causa do custo da energia elétrica, que atualmente pesa entre 3% a 4% no custo de produção do setor. Canisso disse que atualmente as tarifas públicas se transformaram num encargo difícil de ser carregado. Foi esse fator que o obrigou a aderir a um movimento de empresários em Curitiba que estão protestando contra os altos encargos tributários, afirmou.
A indústria da louça em Campo Largo reúne 36 empresas. Mas outras 200 indústrias estão instaladas no município, disse o empresário. Segundo Canisso, as indústrias pediram para a Cocel revisar as tarifas, mas não foram atendidas. A distribuidora alegou que estava praticando o reajuste autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). ''Mas a autorização não significa cobrar pela tarifa máxima. A Cocel tem liberdade para fazer negociação'', protestou Canisso. O empresário se referiu à iniciativa do governador Roberto Requião, que há dois anos vem determinando a redução no custo da energia elétrica aos consumidores abastecidos pela Copel.
''Em função dos reajustes que encareceram o custo da energia, grandes indústrias de Campo Largo deixaram a distribuidora local'', disse Canisso. Segundo ele, as indústrias TMT Motoco do Brasil e Tritec Motors, grandes consumidoras de energia no município de Campo Largo, compraram energia no mercado futuro e a Copel faz a distribuição dessa energia. ''O problema é que a empresa precisa ter dinheiro na mão para pagar a energia comprada em leilão e as pequenas e médias indústrias de Campo Largo não dispõem desse capital para investir'', argumentou.
Outra grande indústria que deixou de comprar energia da Cocel, segundo Canisso, é a Porcelana Schmidt. A empresa está comprando energia diretamente da Copel, por ter conseguido melhores tarifas.
Para o presidente da Cocel, Gerson Osmar Gabardo, o consumidor de Campo Largo paga mais barato pela energia em relação às tarifas da Copel durante 10 meses do ano, porque repassam as vantagens obtidas na negociação com a estatal. Somente nos dois meses anteriores à data-base da Copel, no mês de junho, os consumidores de Campo Largo pagam ''um pouco a mais'', admitiu.
Gabardo atribuiu o aumento de custos aos impostos e encargos elevados. Num custo de R$ 100, a Cocel repassa R$ 32 à Copel e o restante paga impostos, disse.

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