Aumento de área pode derrubar preços
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sexta-feira, 03 de julho de 1998
Vânia Casado 
O produtor que está planejando o plantio da próxima safra de feijão deve evitar o aumento de área, em função da explosão no preço do produto ocorrida esse ano. Apesar de o mercado sinalizar preços firmes para o segundo semestre, a entrada da produção de feijão da região Sudoeste do Paraná, prevista para novembro, tradicionalmente derruba os preços. Com isso o produtor que investir no aumento de área poderá não ter o retorno esperado na época da colheita.
O alerta é da técnica da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Margoreth Demarchi, em palestra realizada para cerca de 800 produtores rurais que lotaram as dependências do parque de exposição de Dois Vizinhos, onde foi realizado o III Encontro Tecnológico do Feijão. Ela recomenda que o produtor invista mais em tecnologia para aumentar a produtividade, quando o nível de preço está dentro da normalidade histórica.
Margoreth criticou os produtores que se empolgam com a euforia do mercado, e pensam em aumentar a área plantada porque este ano a cotação do feijão superou a marca dos R$ 100,00 a saca.
Para a técnica, os produtores devem se preocupar em manter a cultura viável economicamente em relação aos preços históricos da cultura que são de US$ 28,00 dólares a saca para ao feijão de cor, e US$ 25,00 a saca para o feijão preto. Na verdade, segundo Margoreth, o agricultor é um tomador de preço e não um formador. Quem determinou a alta nos preços do feijão foi o clima, com as alterações provocadas pelo El ni¤o, e nada indica que o fenômeno vai se repetir da mesma forma na próxima safra, justificou. Por isso, se o produtor pretende aumentar a área pensando que os preços vão se manter firmes, poderá se arrepender, alertou.
A técnica do Deral adverte ainda que o produtor deve evitar a especulação que está ocorrendo no mercado de semente e comercialização de grãos para o plantio.Ninguém sabe ainda se vai faltar grãos para o plantio ou não, e essa indefinição assusta, admitiu. Mesmo assim, ela acredita no aumento da área plantada com feijão em toda a região sul do país.
Margoreth lembrou que os preços do feijão estão em queda, mas ainda deverão se manter distantes dos níveis históricos, porque a escassez de oferta continua. Mesmo a terceira safra de feijão irrigado plantada em áreas da região Centro-Oeste, Minas Gerais e Bahia, cresceu apenas 5% e não atendeu às expectativas, diante da explosão na cotação do feijão. Para a técnica, isso ainda é reflexo da seca do Nordeste porque os mananciais que abastecem os equipamentos de pivô central de irrigação utilizados nessas áreas estavam com déficit de água.


