Curitiba - O aumento nos preços das tarifas públicas em 2004 foi quase o dobro dos índices que medem a inflação, utilizados para balizar reajustes salariais. O reajuste anual dos preços administrados e monitorados pelo governo alcançou 13,68% em Curitiba, mais de sete pontos percentuais acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que foi de 6,13%.
O acompanhamento feito em parceira pelo Departamento de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) e Sindicato dos Engenheiros (Senge) apontou entre os vilões os reajustes nos preços do pedágio (39,34%), do álcool (32,74%), da energia elétrica (22,14%), do diesel (21,32%) do ônibus (15,15%), telefone (15,48%) e da gasolina (10,56%).
No mês de dezembro, a variação mensal dos preços administrados e monitorados pelo governo foi de 0,48%, abaixo dos índices inflacionários. O aumento do pedágio (6,25%) e da gasolina (1,7%) foram os vilões. Já o preço do gás de cozinha teve deflação de 0,75% e do álcool, de 2,81%. Para o mês de janeiro de 2005, o economista do Dieese, Sandro Silva, acredita em reversão dessas quedas, com tendência de alta no preço da gasolina e o reajuste no preço da água.
Considerando o biênio 2003/04, o reajuste das tarifas públicas soma 23,2%, contra 17% do INPC do período, o que dá uma diferença de 5,16%, calculou Cid Cordeiro, economista do Dieese. Isso significa que os trabalhadores que conseguiram reajustes salariais conforme a inflação perderam poder aquisitivo por causa do aumento das tarifas públicas.
No Paraná, 86% das categorias que tiveram reajuste no primeiro semestre de 2004 conseguiram aumentos que neutralizaram a inflação. O Dieese estima que as perdas dos trabalhadores foram mais acentuadas em 2003 porque apenas 43% das categorias conseguiram reajustes conforme a inflação.
O presidente do Senge, Eroni Bertoglio, acusou as agências nacionais que controlam os preços administrados por contratos de fomentarem a inflação no País. Segundo ele, elas criaram um arcabouço jurídico e administrativo que restringe a intervenção federal. ''Só sobra chamar o povo para as ruas já que politicamente e juridicamente pouco se pode fazer'', afirmou.

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