Aumento da vacina preocupa lideranças
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 26 de abril de 1999
Vânia Casado 
O aumento acentuado no preço da vacina contra febre aftosa, que chega até 100% sobre os preços praticados no ano passado, em algumas regiões do Estado, pode comprometer o sucesso da campanha, que está iniciando esta semana. A advertência foi feita pela Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) ao Ministério da Agricultura e à Secretaria da Agricultura, na última sexta-feira. O diretor executivo, José Carlos Ricken, defende o estabelecimento de um reajuste mais compatível com a realidade dos produtores.
Outras entidades que estão participando do esforço de convencimento aos produtores para imunizar 100% do rebanho, como Federação da Agricultura do Paraná (Faep) e Federação dos Trabalhadores Rurais na Agricultura do Paraná (Fetaep) também manifestaram preocupação com o reajuste no preço das doses. O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal foi procurado ontem pela Folha , mas não se pronunciou a respeito.
Um levantamento feito no mercado, pelas entidades, aponta para variações de preços entre as várias regiões do Estado. Na região de Londrina e Maringá, os comerciantes estão pedindo entre R$ 0,62 a R$ 0,75 a dose. Em Paranavaí, entre R$ 0,62 a 0,65 a dose. Em Pato Branco, entre R$ 0,70 a R$ 0,75 a dose. Na região metropolitana de Curitiba, o comércio está praticando o preço mais alto, que chega até R$ 0,87 em Aracuária. No ano passado, os preços das vacinas estavam inferiores a R$ 0,40 a dose.
Apesar do aumento, os comerciantes reconhecem que esses preços não são definitivos, que podem ser alterados conforme a concorrência na região. Nas regiões Norte e Noroeste, por exemplo, onde estão concentrados os grandes rebanhos do Estado, a tendência do comércio é de redução nos preços porque a compra da vacina contra febre aftosa é ultilizada como atrativo para venda de outros medicamentos. Já em outras onde a pecuária de corte não é tão forte, onde o perfil de produção é de pequena propriedade, com poucas cabeças de gado, a tendência do comércio é de manutenção dos preços estabelecidos.
O assessor econômico da Faep, Alexandre Jacewicz, disse que o aumento da vacina no mercado preocupa, mas não é motivo para deixar de vacinar o rebanho. Isso porque se trata da campanha de vacinação mais importante, porque antecede a sorologia marcada para o dia 1º de julho. Jacewicz explica que a Faep é uma das grandes entidades incentivadoras dessa campanha e por isso apela para que o produtor vacine seu rebanho. Ele lembra que no próximo dia 15, o Paraná completa quatro anos sem ocorrência de focos de febre aftosa e não é fácil para um estado manter esse estado de sanidade. Basta ver o exemplo do Mato Grosso do Sul que foi atropelado pela ocorrência de focos, acrescenta.
O assessor econômico da Fetaep, Sergio Gutierrez, também manifestou preocupação com o aumento no preço das vacinas. Segundo ele, a Fetaep quer explicações da entidade representante dos laboratórios porque está engajada no esforço promovido pelo governo do Estado em erradicar a febre aftosa no Paraná e não quer ver todo esse esforço colocado em risco.


