Aumento da TR faz Caixa alertar os mutuários
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terça-feira, 22 de setembro de 1998
Pedro Livoratti 
O aumento das taxas dos juros e a previsão de que deve ocorrer uma subida no valor da prestação da casa própria fez com que o escritório regional de negócios da Caixa em Londrina reforçasse as informações com os mutuários que estão assinando contratos neste momento. Nos últimos dias, quem adquiriu um imóvel teve de assinar documento se declarando ciente que há a possibilidade de aumento da prestação e do saldo devedor do imóvel por causa da elevação da TR. A medida está em vigor para as 26 agências que atendem 92 municípios no norte do Estado.
A declaração, totalmente legal de acordo com o Procon, apenas ressalta uma das cláusulas do contrato de financiamento, segundo o gerente de mercado do escritório, Ruy Rosário. Declaro para os devidos fins que tenho conhecimento da sistemática de correção do saldo devedor do empréstimo habitacional que estou assumindo que será reajustado pelo índice de atualização monetária das cadernetas de poupança (TR) no dia da assinatura do contrato, diz a declaração.
É uma forma de educar, explicando ao mutuário as modificações neste momento de alta de juros, explica o gerente. Segundo ele, com o aumento das taxas, no último dia 10, os negócios chegaram a ficar suspensos, voltando posteriormente à normalidade.
A grande maioria dos contratos de financiamento são feitos com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que prevêem juros fixos de 8% ao ano mais a TR. O que complica é exatamente a correção pela taxa referencial e é isto que o mutuário tem de entender, afirma o gerente.
A expectativa dele é que as taxas permaneçam em patamares maiores por um período, que ainda não dá para prever. Neste tempo a TR pode chegar a 2%. A declaração, informa o gerente, deverá ser mantida até que ocorra a redução dos juros aos patamares que existiam antes da elevação.
Mesmo sem ter ainda interferido nos valores deste mês, a elevação dos juros já assusta aos mutuários. O bancário Geraldo Fausto dos Santos procurou ontem o escritório regional da Caixa em Londrina para colher informações sobre o uso de seu FGTS para quitação do apartamento da família. Vou me sentir mais seguro com ele quitado, será um problema a menos, afirmou. Segundo ele, o medo de perder o emprego e a subida da TR foram fatores decisivos para buscar uma forma de quitar o seu imóvel. Quero evitar ficar inadimplente.
A coordenadora do Procon em Londrina, Sheila Azzalini de Ângelo, disse ontem que a procuração da Caixa proposta para os futuros mutuários é um procedimento legal, que apenas ressalta uma cláusula contratual importante.
Dessa forma o consumidor não poderá alegar que assinou sem ter conhecimento, informa. Ela esclarece, no entanto, que é importante que o mutuário faça as contas para evitar entrar num financiamento e depois não conseguir pagar. No caso da pessoa poder esperar os juros baixarem, a coordenadora do Procon informa que pode ser melhor negócio, já que as taxas estão altas e há tendência de queda.


