As cooperativas e os produtores foram surpreendidos, terça-feira, com a elevação da taxa TJLP que indexa a maior parte dos contratos de investimentos no meio rural. Só no Paraná, foram feitos mais de 16.000 contratos em 1997, que sofrem correção da TJLP (Taxas de Juros de Longo Prazo) mais 6% de juros ao ano, que somam R$ 130 milhões. Com a elevação da taxa de 11,68% para 18,06% ao ano, as parcelas dos financiamentos que vencem a partir desse mês sofrerão reajuste de 50%. Na avaliação da Federação da Agricultura do Paraná, a dívida total dos financiamentos corrigidos pela TJLP terão aumento de 10%, o que aumenta o drama dos produtores.
Essa correção vai pesar para os micro e pequenos produtores que fizeram financiamentos junto ao Pronaf(Programa Nacional de Agricultura Familiar), mesmo que eles sejam beneficiados com um rebate 50% na correção, alertou o secretário executivo do Conselho Estadual do Pronaf, Francisco Simioni. Segundo ele, para os financiamentos contratados através do Finame e Proger Rural, onde vale a correção pela taxa cheia a parcela ficará mais alta ainda.
Segundo a Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná), as cooperativas que fizeram investimentos com recursos do BNDES serão seriamente afetadas a partir do ano que vem, quando o aumento nas parcelas devidas nos financiamentos começam a ficar ‘‘ salgadas’’. O presidente da Coopervale (Cooperativa Agrícola Mista do Vale do Piqueri) de Palotina, Alfredo Langue, disse que estava desanimado. ‘‘ Neste país não dá para ser feliz porque de uma hora para outra é surpreendido com a alteração das regras do jogo’’, lamentou.
A preocupação de Langue se refere aos investimentos feitos no complexo avícola no valor de R$ 46 milhões, financiado pelo BNDES. Desse total, um pouco mais da metade já foi amortizado, mas ainda faltam ser pagos R$ 21,5 milhões. Os pequenos produtores integrados que fizeram investimentos nos aviários também serão afetados porque o aumento da TJLP representa aumento de custos. Para Langue, o produtor já trabalha com margens apertadíssimas e não tem como repassar mais esse custo.
Na avaliação do presidente da Coopervale, assim é impossível planejar qualquer investimento produtivo.‘‘Com mais essa medida, cujos reflexos são nefastos para o setor agrícola parece que o governo quer provocar mais uma situação insustentável como ocorreu recentemente que resultou em soluções negociadas como a prorrogação de dívidas, recoop e outras’’, afirmou. Langue prevê o recrudescimento da crise no meio rural com nova onda de desemprego e retração nos investimentos.
O presidente da Faep, Ágide Meneguette, não esperou para avaliar a situação. Logo cedo disparou vários fax ao presidente da república, aos ministros das pastas econômicos e acionou a bancada federal no Paraná. Para Meneguette é preciso desvincular o setor rural dessa ‘‘ medida perversa’’ porque mais uma vez vai inviabilizar o pagamento dos financiamentos agrícolas. A preocupação de Meneguette é que o mercado aponta para queda nos preços agrícolas no ano que vem e o produtor não terá como arcar com mais este custo.
Inadimplência Simioni prevê o aumento da inadimplência nos financiamentos do Pronaf, que até agora sempre apresentaram os índices mais baixos. ‘‘ Os micro e pequenos produtores vinham pagando os empréstimos direitinho’’, destacou. O pior é que os produtores já estão sendo penalizados pelos efeitos do clima que não proporcionou uma boa safra de inverno. ‘‘Ocorreram muitas perdas e a situação no campo é dramática’’, acrescentou.
Para Simioni foi uma luta imensa para colocar no plano de safra 98/99 as sugestões que beneficiam a agricultura família para que baixassem os juros dos pequenos agricultores. O fato de a linha de crédito ficar sujeita às variações das taxas de juros já era preocupação do Conselho Estadual do Pronaf há mais de um mês, desde quando eclodiu a crise financeira que resultou no aumento das taxas de juros. A situação se agravou e o agricultor não tem como pagar o financiamento porque o preço dos produtos que ele produz como arroz, feijão,milho, mandioca e leite não sofrem variação na mesma proporção. ‘‘ Pelo contrário, estão em queda’’, comparou.

mockup