As decisões do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) são aguardadas sempre com expectativa pelo mercado. Manter, baixar ou subir as taxas de juros Selic? Eis a questão que provoca angústia no mercado.
E não é para menos. Depois de muitos anos de crescimento pífio do Produto Interno Bruto e um final de 2008 e início de 2009 quase catastrófico por conta da crise na economia da maioria dos países desenvolvidos, o brasileiro experimentou alguns meses de bonança.
A taxa Selic foi baixando e chegou a 9,5% ao ano. A menor taxa desde a criação do Copom. Mas foi só a economia brasileira dar uma energizada, crescendo 9% no primeiro trimestre de 2010, e o Copom pisou no freio novamente e subiu a taxa para 10,25% ao ano. A justificativa para o aumento significativo da taxa é a inflação que volta a rondar a economia brasileira.
No acumulado do ano a variação de preços foi de 3,72%. Segundo o Banco Central o conjunto das informações disponíveis evidencia continuidade na deterioração da dinâmica inflacionária, embora a um ritmo menor. Já a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA - usado para a meta da inflação oficial do governo) caiu para 0,43% em maio, após ir de 0,52% em março para 0,57% em abril. A inflação acumulada nos primeiros cinco meses de 2010 alcançou 3,09%, acima da observada em igual período do ano anterior.
''Não deixa de ser um decisão equivocada do Banco Central, pois leva em consideração somente o crescimento do primeiro trimestre. Não podemos nos esquecer que boa parte do crescimento se deve à indústria de bens duráveis, que justamente em 31 de março de 2010, teve extintos alguns incentivos fiscais, criados para amenizar os impactos da crise internacional. Não resta dúvida que somente a extinção dos incentivos fiscais, por si só já são suficientes para frear o crescimento econômico. Nenhum segmento da sociedade deseja a volta da inflação, isto é mais que óbvio, mas todo cuidado é pouco para que não se comprometa outros índices, que têm uma grande melhora com o crescimento do PIB, como por exemplo a geração de emprego e renda'', comenta Jaime Junior Silva Cardozo, diretor do Sescap-Ldr.
Segundo a nota do Banco Central, a instituição destaca que a expectativa da variação do IPCA para 2010 subiu de 5,41% para 5,64%. O governo trabalha com a meta de 4,5%. Para 2011, a mediana das expectativas de inflação se manteve em 4,80%.
Os principais bancos privados acreditam que a taxa Selic vai subir ainda mais até o final do ano. Eles revisaram para cima suas projeções da taxa básica de juros e do PIB em 2010. O mais moderado até o momento é o Bradesco que manteve a projeção da Selic em 11% até o fim de 2010, ao passo que o mais agressivo é o Citibank, que aponta a Selic em 12,75% em dezembro e em 13,25% em janeiro de 2011. Economistas afirmam que a projeção feita pelos bancos é exagerada, tanto para o crescimento quanto para a Selic.
''A equipe do governo precisa ficar muito atenta aos números. O problema é que se a taxa Selic continuar subindo como preveem os bancos o consumo obviamente irá cair, como é a meta do governo, porém isso significa redução na produção e geração de empregos. Não seria mais prático o governo reduzir o custo da máquina administrativa e com a sobra melhorar os investimentos em infraestrutura, em escolas técnicas, para que as empresas tenham mão de obra qualificada e possam produzir mais suprindo a demanda sem gerar inflação?'', questiona o diretor do Sescap-Ldr, Jaime Cardozo.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-LDR)

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