''Aumento da mistura de álcool ainda é inviável''
Guto Rocha
De Londrina
A intenção do governo federal de aumentar a porcentagem de mistura do álcool anidro à gasolina, passando dos atuais 24% para 26% pode ser inviabilizada pela falta de programação prévia junto aos produtores. Segundo o diretor-executivo da Coligação das Entidades de Produtores de Álcool e Açúcar (CEPAAL), Paulo Adalberto Zanetti, o presidente Fernando Henrique se precipitou ao anunciar uma reunião que vai tratar do aumento da mistura. O setor precisaria de um planejamento prévio, porque não sabemos como será a safra do próximo ano, afirmou.
Zanetti participou ontem do painel de encerramento do 7º Congresso Nacional da Sociedade dos Técnicos Açucareiros e Alcooleiros do Brasil (STBA), em Londrina.
O aumento da porcentagem de álcool anidro à gasolina deveria ter sido adotada há cerca de um ano e meio. Naquela época tínhamos um excesso de produção, afirmou.
Ele observou que hoje, o programa do álcool, além do fator sócio-ambiental, passou a ter importância para o governo por ser uma estratégia para segurar os preços da gasolina. O litro da gasolina na refinaria custa R$ 1,19, mas a adição do àlcool anidro garante um preço menor ao consumidor, afirmou.
Quanto a retomada da demanda por carros movidos a álcool hidratado, Zanetti afirmou os produtores do combustível vegetal já sinalizaram ao governo que têm condições de garantir o abastecimento para um crescimento anual de 15% na fabricação de carros. Poderíamos produzir 100 milhões de litros/ano a mais para suprir este crescimento, afirmou.
Mas um crescimento acima destes 15%, segundo Zanetti, vai exigir um novo acordo entre o setor e o governo. Uma das saídas para suprir um crescimento superior ao índice acordado, segundo o diretor da CEPAAL, seria um redimensionamento nas exportações de açúcar. Com isso, disse, haveria mais cana para a produção de álcool. Ele observou que há cinco anos, o Brasil exportava 5 milhões de toneladas de açúcar, e este ano, o volume enviado ao exterior deve ficar em 9,2 milhões de toneladas.
O presidente da Aliança Cooperativa Internacional, Roberto Rodrigues, que também participou do painel, afirmou que o setor sucroalcoleiro do País é o mais competitivo do mundo, mas ainda falta uma maior articulação entre os participantes. Como em todos os setores da agricultura, não há uma decisão única sobre os interesse comuns, comentou. Rodrigues observou que o mercado aponta para um crescimento da demanda pelo álcool, e o setor não pode permitir uma demoralização mais uma vez com a falta do produto ao consumidor.
Lei Kandir Rodrigues disse ontem que a propostas dos governadores de revogar a Lei Kandir é um retrocesso para o setor produtivo. Esta foi a única medida efetiva de proteção à produção dos últimos 10 anos. Seria uma burrice o País voltar a tributar suas exportações, afirmou. Rodrigues observou que a adoção da Lei Kandir permitiu que o país experimentasse uma salto significativo nas exportações agrícola. A balança agrícola há muito tempo é superavitária, mas com a lei, garantimos maior competitividade aos produtores brasileiros e maior volume de exportações, comentou.





