Aumento da luz no Paraná será mais ''salgado''
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quinta-feira, 20 de maio de 2004
Candice Dequech<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A conta de luz dos paranaenses vai ficar mais cara do que se imaginava. Além da revisão tarifária, apresentada ontem pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) durante audiência pública na Associação Comercial do Paraná (ACP), que prevê reajuste preliminar de 8,78% a vigorar a partir do dia 24 de junho, a Companhia Paranaense de Energia (Copel) prevê ainda um aumento de 6%, que também entrará em vigor no dia 24 de junho, quando o índice final da revisão tarifária for publicado em Diário Oficial.
O reajuste de 6% deve vigorar por 12 meses e refere-se a custos não gerenciáveis, como por exemplo a variação cambial, uma vez que o preço do kilowatt/hora fornecido pela Itaipu Binacional é atrelado ao dólar; e a encargos financeiros. ''Não podemos evitar esse reajuste, uma vez que, de junho de 2002 a janeiro de 2004, a Copel ficou sem reajuste. A Copel se preocupa com os reajustes, que desagradam parcela da população, mas, precisa fazer investimentos para, justamente, melhorar a qualidade dos serviços oferecidos'', declarou o diretor de finanças da Copel, Ronald Ravedutti.
Segundo Eduardo Ellery, um dos diretores da Aneel que conduziu a audiência ontem pela manhã, os 8,78% preliminares anunciados para o reajuste da tarifa da Copel é o valor máximo que a estatal paranaense pode cobrar do consumidor. Ou seja, a Copel pode reajustar menos que 8,78%, o que ainda não está definido. ''A revisão tarifária é feita com base nas condições da empresa, visando o equilíbrio financeiro e de qualidade de serviços'', explicou.
A revisão de tarifas é realizada a cada quatro anos. Todas as empresas que detêm concessão pública para prestar serviço de distribuição de energia elétrica devem passar pelo processo, que, segundo a Aneel, visa redefinir as tarifas cobradas dos consumidores, para mais ou para menos, dependendo das mudanças ocorridas na estrutura de custos e de mercado das empresas, dos níveis de tarifas observados em empresas similares no Brasil e no exterior, e do estímulo à eficiência e ao equilíbrio tarifário.
A revisão de tarifas também visa assegurar a remuneração dos investimentos voltados à prestação do serviço e a cobertura de despesas efetivamente reconhecidas pela Aneel. A revisão tarifária está prevista na legislação vigente e nos contratos de concessão assinados entre as distribuidoras e a União, representada pela Aneel. Na audiência pública, os integrantes da comunidade e de órgãos de defesa do consumidor, como o Procon do Paraná puderam avaliar e dar sugestões sobre a estrutura de custos e dos investimentos da empresa.


