Com o aumento da inadimplência no setor de locação de imóveis, aceitar ser fiador de alguém é uma decisão que se tem mostrado cada vez mais arriscada. Apenas neste ano, deram entrada no Fórum da capital paulista, até o mês de maio, um total de 17.073 ações de despejo por falta de pagamento, com uma média de 3.414 ações por mês. Se se levar em conta que a fiança locatícia é o tipo de garantia mais utilizado no mercado, na maioria dos casos em que a imobiliária está despejando o inquilino o fiador já foi informado de que terá de pagar a conta do seu afiançado.
É apenas nesse momento que muitos fiadores vão perceber a responsabilidade do papel que assumiram. Isso porque as dívidas locatícias que o inquilino deixar de pagar serão cobradas do fiador, que poderá até mesmo ter o imóvel penhorado por determinação judicial para pagar a conta, ainda que esse imóvel seja o único que a pessoa possui e é utilizado como residência familiar.
Das três partes envolvidas no contrato de locação - proprietário, inquilino e fiador , é esse último o que fica mais preso ao compromisso, sem ter nenhum controle da situação. O proprietário pode despejar o inquilino que não cumprir com as obrigações contratuais ou usar a denúncia vazia (retomada do imóvel sem apresentação de motivos) após o período da vigência contratual; o inquilino pode devolver o imóvel sem nenhum problema no término do período determinado no contrato, ou durante a vigência contratual, mediante o pagamento de multa estipulada no contrato.
O fiador, porém, fica amarrado ao compromisso até que o inquilino devolva ao proprietário as chaves do imóvel, seja no prazo determinado, seja no prazo indeterminado, sem deixar nenhuma dívida pendente. Isso quer dizer que, dos três, o fiador é o único que não tem saída para cair fora do compromisso. Na maioria das vezes, quando o inquilino deixa de pagar o aluguel, a administradora avisa o fiador. Este, por sua vez, pressiona o inquilino para que pague o débito. Uma situação constrangedora para ambos, que normalmente são parentes ou amigos.
O inquilino muitas vezes deixa de cumprir com as obrigações contratuais em razão do desemprego, seu ou de alguém da família. Mas, seja qual for o motivo, a situação mais complicada é a do fiador, que terá de pagar a dívida.

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