Apesar do aumento no preço da farinha de trigo, o que naturalmente provocaria reajuste no valor do pão francês, o consumidor de Londrina pode não pagar mais caro para comer o pãozinho de cada dia. Os donos de panificadoras consultados pela Folha ainda não sabem se vão repassar o aumento ao produto final, já que isso poderia causar reclamação de consumidores.
O preço da farinha de trigo sofreu um reajuste de 30% nas últimas semanas, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo). O motivo é a oferta mais apertada, especialmente do produto argentino, principal fornecedor do Brasil. O reflexo é o repasse para comerciantes que vão sentir no bolso a diferença.
O preço da unidade do pãozinho francês praticado hoje em Londrina varia de acordo com o estabelecimento. Nos bairros, a unidade pode ser encontrada por R$ 0,10 ou R$ 0,15. Na área mais central, os preços variam entre R$ 0,20 a R$ 0,25. A expectativa é que o reajuste final para o consumidor, caso seja aplicado, chegue a 20%.
Os comerciantes estão cautelosos. É o caso de Rodrigo Mendes, dono da confeitaria Lavie Du Pain, no centro da cidade. Ele vende a unidade do pão francês a R$ 0,25. ''Não tenho como repassar o aumento para o consumidor. Se fizer isso, vou ouvir reclamação. Tenho que absorver este custo'', disse. A principal dificuldade em repassar o custo, segundo o comerciante, é a grande concorrência de estabelecimentos próximos. ''Os concorrentes vão vender por menos. Prefiro vender numa quantidade menor, mantendo meu lucro.''
Hoje, o comerciante paga R$ 24 o saco de 25 quilos de farinha de trigo. Com o aumento, o preço deve chegar a R$ 26, um reajuste de 8,33%.
Na panificadora Flumê, também na região central, a situação é a mesma. O sócio proprietário Divaldo Moniz Domingos não tem certeza se vai reajustar o preço. ''Ainda vamos discutir isso, não temos nada definido'', afirmou ele, que comercializa o pão a R$ 0,25 e acredita que qualquer reajuste vai desagradar o cliente.
No balcão da panificadora, a dona de casa Amélia de Souza Pires disse que o gasto mensal é de R$ 30, só com o pão francês. ''Você ainda tem o leite, um queijo. Se tiver aumento no pão, vai ser complicado'', reclamou. Também o contínuo Gilberto dos Santos, que gasta em média R$ 60 por mês só com o pãozinho, considerou ruim se houver aumento. ''É um gasto grande, vai pesar no orçamento. O problema é que não dá prá ficar sem o pãozinho. Além de fazer bem, é gostoso.''

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