Aumento da cesta básica em Curitiba é o maior em 20 anos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 04 de abril de 2014
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
Tomate, batata e banana. Os três hortifrútis foram responsáveis pelo aumento recorde da cesta básica no mês de março nas principais capitais do País. Em Curitiba, o reajuste foi de 12,29%, segundo maior desde a implantação do Plano Real, há quase 20 anos. Somente no mês de setembro de 1994, a cesta básica aumentou mais na capital paranaense: 15,04%. Os números foram divulgados ontem pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Em Londrina, o mês de fevereiro já havia apresentado o segundo maior aumento da cesta básica, 13,86%, desde janeiro de 2003. No mês passado, segundo a pesquisa realizada pela Faculdade Pitágoras, o valor da cesta básica seguiu elevado, com aumento de 8,21%, o oitavo maior desde 2003 (leia mais nesta página).
Quatro das 18 capitais pesquisadas pelo Dieese tiveram aumento de dois dígitos na cesta básica de março. Além de Curitiba, Campo Grande (12,85%), Goiânia (12,61%), e Porto Alegre (12,52%). No Rio de Janeiro e Brasília, a cesta subiu na casa dos 9%. E, em São Paulo, 8,03%. Duas capitais, Belo Horizonte e Manaus, apresentam deflação: -0,41 e -1,25%, respectivamente. A cesta mais cara de março foi a de Porto Alegre: R$ 329,61 para uma pessoa. E a mais barata, a de Aracaju, R$ 225,82. Em Curitiba, ela ficou em R$ 329,55.
O economista do Dieese do Paraná, Sandro Silva, calcula que o reajuste da cesta na capital, no mês passado, ficaria em apenas 0,72%, caso os preços da banana, da batata e do tomante não houvessem subido. Por isso, segundo ele, a situação não é alarmante, apesar de o aumento em Curitiba ser o maior em quase 20 anos. "Estamos num momento de entressafra desses produtos e a tendência é que tenham redução de preço nos próximos meses", afirma.
Em Curitiba, no mês passado, o tomate subiu 90%, atingindo um preço médio de R$ 5,32 o quilo. A batata aumentou 34,88%, chegando a R$ 2,90 o quilo. E a banana foi reajustada em 31,25% na média, chegando a R$ 3,80 a dúzia. "O pico de preços desses produtos já passou", afirma o economista.
Segundo Paulo Andrade, engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), a geada fora de época, de outubro do ano passado na região Sul, e o intenso calor do início deste ano explicam o aumento do preço da banana. "Esses fenômenos alteram o metabolismo da fruta e diminuem a produtividade do pomar", afirma. De acordo com ele, o preço ainda continua muito bom para o produtor, mas já está começando a cair na Central de Abastecimento (Ceasa).



