Arquivo FolhaAlertaStefanello: agricultor está indo na contramão do mercado A constatação do crescimento de área plantada com soja em todo país em detrimento da área ocupada com milho preocupa e leva a crer que o agricultor está cometendo dois erros. O primeiro é estratégico, com a decisão do agricultor em abandonar a rotação de culturas, o que pode comprometer o desempenho das safras futuras em função da queda de fertilidade do solo. O segundo é econômico, já que a tendência do preço da soja é voltar aos níveis históricos internacionais, em torno de US$ 230 a tonelada no primeiro semestre de 1998. Além disso, o mercado sinaliza pequena alta no preço do milho, podendo chegar até US$ 125 a tonelada, o que supera a cotação internacional de US$ 110 a tonelada.
A avaliação sobre as perspectivas da próxima safra agrícola, foram feitas ontem pelo superintendente da Conab-PR, Eugênio Stefanello, durante teleconferência realizada em Curitiba e transmitida via Embratel para todo o país. Além do binômio soja-milho, Stefanello traçou um panorama sobre as tendências das safras de algodão, feijão, arroz, café, trigo e de carnes.
Stefanello chamou a atenção para a recuperação da safra mundial de soja que passa de 131,7 milhões de toneladas na safra 96/97 para 147,1 milhões de toneladas na safra 97/98. Ele ressalta o fato de que o consumo mudial está aumentando em torno de 3% a 4% ao ano, mas esse percentual não é suficiente para absorver o aumento de produção. Portanto haverá a recomposição dos estoques mundiais, que deverão passar de 13 milhões de toneladas na safra passada para 19,4 milhões de toneladas na próxima safra. Para Stefanello a recomposição dos estoques sinaliza a tendência de preços menores do que o agricultor conseguiu na última safra.
Além do panorama internacional, o mercado interno também sinaliza redução nos preços da soja na comercialização da safra 97/98, insistiu Stefanello. A perspectiva da produção nacional para a próxima safra é de 29 milhões a 30 milhões de toneladas, superior à produção desse ano que ficou em 25,9 milhões de toneladas. Mesmo com a manutenção das exportações em torno de 7 a 8,5 milhões de toneladas como deverá atingir esse ano, a tendência das cotações da soja é de queda.
Segundo Stefanello, no Paraná o produtor deverá receber entre R$ 12,00 e R$ 14,00/saca, e no Centro-Oeste, entre R$ 9,00 e R$ 11,00/saca. Ele admite que esse preço dá rentabilidade ao produtor, uma vez que o custo de produção deverá ficar entre R$ 7,00 e R$ 8,00 mas não é aquela rentabilidade que ele está prevendo quando confirma sua preferência em plantar soja em detrimento do milho.
Em compensação o cenário para o milho nos mercados externo e interno muda para a próxima safra, e Stefanello salienta que o agricultor está indo na contramão do mercado. Isso porque a tendência é de queda na produção mundial e aumento do consumo. A estimativa é que os estoques mundiais reduzam de 86,3 milhões de toneladas para 70,8 milhões de toneladas na safra 97/98. No mercado interno a tendência também é de queda na produção de milho em todo o país. No Paraná a estimativa de redução de área plantada é de 15% e no Brasil Central é superior a 20%. Portanto, a sinalização dos preços do grão é de alta ou pelo menos manter a paridade com o mercado externo, explica.
No entanto ele reconhece que o produtor vai compensar a perda da safra de milho com a safrinha e se o clima for bom a redução total da produção nacional de milho poderá se situar em 10%. Mas ele alerta para a redução dos estoques nacionais de passagem do milho passando de 4,2 milhões de toneladas na safra 95/96 para 3,89 milhões de toneladas na safra 96/97 para atender à necessidade de aumento do consumo interno, que na safra anterior ficou em 36,9 milhões de toneladas.

mockup